Putin estipula "preço de venda" da Groenlândia aos EUA e cita exemplo histórico do Alasca

Putin estipula “preço de venda” da Groenlândia aos EUA e cita exemplo histórico do Alasca

🕓 Última atualização em: 22/01/2026 às 17:21

Em uma declaração que mistura diplomacia e ironia histórica, o presidente russo Vladimir Putin comentou, nesta quinta-feira (22), o interesse dos Estados Unidos na compra da Groenlândia. Durante uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia, o líder do Kremlin sugeriu que, seguindo a lógica da venda do Alasca no século XIX, a ilha dinamarquesa poderia valer entre US$ 200 e US$ 250 milhões.

A comparação histórica com o Alasca

Putin baseou sua estimativa no acordo de 1867, quando o Império Russo vendeu a península do Alasca ao governo de Washington por US$ 7,2 milhões — o que, em valores corrigidos, equivaleria hoje a cerca de US$ 158 milhões.

O líder russo pontuou que, como a Groenlândia possui uma área ligeiramente superior à do Alasca, o valor de mercado deveria ser proporcionalmente maior. Ele foi além, afirmando que, se a transação fosse lastreada na cotação do ouro da época, o preço real poderia chegar a US$ 1 bilhão. “Acredito que os Estados Unidos têm condições de alcançar esse montante”, provocou Putin.

O interesse estratégico de Donald Trump

O desejo da administração de Donald Trump de anexar o território semiautônomo da Dinamarca não é recente, mas ganhou novos contornos diplomáticos. O interesse americano é movido por dois fatores principais:

  1. Segurança Nacional: A localização geográfica é vital para o controle das rotas do Ártico e já abriga bases militares dos EUA.
  2. Recursos Naturais: A ilha é rica em minérios estratégicos e recursos energéticos que despertam a atenção das potências mundiais.

Tensões no Ártico

Além da questão territorial, Washington teme o avanço da influência de Rússia e China na região ártica. A aquisição da Groenlândia seria uma manobra definitiva para consolidar o domínio ocidental no topo do mundo. No entanto, a Dinamarca e as autoridades locais da Groenlândia já reiteraram diversas vezes que o território não está à venda, tratando as propostas americanas como uma violação de soberania.

A fala de Putin, portanto, é vista por analistas como uma provocação política, lembrando aos EUA que a expansão territorial moderna não é tão simples quanto a compra de propriedades rurais no século XIX.

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