A crise política na Coreia do Sul atingiu um novo ápice nesta terça-feira (13). O promotor especial responsável pelo caso solicitou a pena de morte para o ex-presidente Yoon Suk Yeol, acusado de liderar uma tentativa de insurreição e golpe de Estado em dezembro de 2024.
A acusação foca na declaração de lei marcial imposta por Yoon, medida que mobilizou o Exército contra a Assembleia Nacional em uma tentativa de silenciar a oposição e manter-se no poder.
Acusações de crime contra a ordem constitucional
De acordo com o Ministério Público, as investigações confirmaram que Yoon e o ex-ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, arquitetaram um plano para subverter as instituições democráticas.
“Embora o réu alegue ter agido para proteger a democracia liberal, sua ordem ilegal e inconstitucional paralisou o Parlamento e a Comissão Eleitoral, destruindo os pilares do Estado”, afirmou o promotor durante as alegações finais em Seul.
A promotoria destacou ainda a ausência de arrependimento do ex-mandatário, que não pediu desculpas formais à população pelo caos gerado durante as poucas horas em que a lei marcial esteve em vigor.
O histórico da queda de Yoon Suk Yeol
O ex-presidente, de 65 anos, enfrenta uma sequência de derrotas judiciais e políticas desde o fim de 2024:
- Dezembro de 2024: Tentativa fracassada de impor a lei marcial para combater supostas “forças comunistas”.
- Abril de 2025: Yoon é oficialmente destituído do cargo pelo Tribunal Constitucional após protestos em massa.
- Junho de 2025: O ex-presidente volta à prisão preventiva sob risco de destruição de provas.
Atualmente, Yoon responde a oito processos criminais. Em sua defesa, ele sustenta que agiu dentro de suas prerrogativas presidenciais e que a medida foi um alerta contra a obstrução do governo por parte do Legislativo.
A Coreia do Sul aplica a pena de morte?
Embora a legislação sul-coreana preveja a pena de morte para crimes de insurreição, o país não realiza execuções há quase três décadas. A última aplicação da sentença ocorreu em 1997.
Historicamente, outros ex-presidentes, como Chun Doo-hwan e Roh Tae-woo, também foram condenados por insurreição nos anos 90, mas acabaram recebendo perdão presidencial após cumprirem curtos períodos de prisão.
O que esperar do julgamento
O Tribunal Distrital Central de Seul deve proferir a sentença final em fevereiro. O gabinete do atual presidente, Lee Jae-myung, declarou em nota oficial que confia na autonomia do Poder Judiciário para decidir conforme os princípios democráticos e a lei vigente.



