PIB do Brasil cresce 0,1% no 3º trimestre e perde força, aponta IBGE

Economia perde fôlego e PIB cresce só 0,1% no 3º trimestre

🕓 Última atualização em: 04/12/2025 às 16:31

A economia brasileira registrou leve avanço de 0,1% no terceiro trimestre de 2025, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, o Produto Interno Bruto movimentou aproximadamente R$ 3,2 trilhões no período.

O resultado mostra ritmo mais fraco do que o observado no trimestre anterior, quando houve expansão de 0,3%. Na comparação com o mesmo intervalo de 2024, o PIB teve aumento de 1,8%. O desempenho ficou levemente abaixo do esperado pelo mercado, que previa crescimento trimestral de 0,2%, mas superou a projeção anual de 1,7%.

Atividades econômicas perdem impulso

Entre os setores analisados, houve resultados positivos, porém moderados, na Agropecuária (+0,4%) e na Indústria (+0,8%). Já Serviços e Consumo das famílias — tradicionalmente pilares do PIB — cresceram apenas 0,1%, praticamente estáveis. A alta dos juros, com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, tem encarecido o crédito e reduzido a capacidade de consumo dos brasileiros.

Mesmo com o mercado de trabalho aquecido e desemprego em níveis historicamente baixos, o consumo das famílias perdeu força frente ao trimestre anterior, quando havia crescido 0,6%. No comparativo anual, o setor avança 0,4%.

A analista do IBGE, Claudia Esterminio, afirma que o ambiente de juros elevados restringe a atividade econômica, mas o aumento da massa salarial ajudou a evitar retração maior.

Serviços desaceleram, mas seguem em alta

Apesar do crescimento menor, a maior parte das atividades de serviços continuou em expansão:

  • Transporte, armazenagem e correio: +2,7%
  • Informação e comunicação: +1,5%
  • Atividades imobiliárias: +0,8%
  • Comércio: +0,4%
  • Administração pública, educação, saúde e seguridade: +0,4%
  • Outras atividades de serviços: +0,2%
  • Financeiras e de seguros: -1,0%

Governo e investimentos sustentam a economia

O consumo do governo se recuperou e avançou 1,3%. Os investimentos também reagiram, com alta de 0,9% após queda de 2,2% no trimestre anterior.

No setor externo, as exportações cresceram 3,3% e foram um dos principais motores da economia no período. A indústria extrativa impulsionou o resultado, com forte aumento nas vendas ao exterior. As importações, por sua vez, subiram 0,3%.

Revisões alteram trajetória de crescimento

Com a atualização das Contas Nacionais, o IBGE revisou os resultados anteriores. O crescimento de 2024 foi mantido em 3,4%, mas com nova composição. Para 2025, os dados passaram a indicar desempenho um pouco mais forte no início do ano:

  • 1º trimestre: de 2,9% para 3,1%
  • 2º trimestre: de 2,2% para 2,4%

Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), a desaceleração recente está ligada aos efeitos defasados dos juros altos. A pasta avalia que o país deve manter crescimento moderado no último trimestre do ano, com possível melhora em serviços.

Economistas do mercado projetam avanço de 2,16% do PIB em 2025 — após expansão de 3,4% no ano anterior. Entre os países do G20 com dados já divulgados, o Brasil ocupa o 11º lugar no ranking trimestral, o 8º na comparação anual e o 6º no acumulado de quatro trimestres.

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