O Exército Brasileiro inicia 2026 em um momento de transição no setor de blindados. Apesar de manter um número considerável de carros de combate, a frota apresenta envelhecimento tecnológico, o que pressiona o comando militar a acelerar planos de modernização em meio a restrições orçamentárias.
De acordo com dados de fontes especializadas em defesa, o Brasil possui atualmente cerca de 439 tanques no inventário, embora aproximadamente 300 estejam em condições operacionais.
Parte significativa da frota permanece indisponível devido à escassez de peças, necessidade de revisões profundas e desgaste natural após décadas de uso contínuo.
Modelos que compõem a frota brasileira
Os carros de combate do Exército Brasileiro são majoritariamente de segunda geração, adquiridos de outros países entre as décadas de 1990 e 2000. A frota é composta principalmente pelos seguintes modelos:
Leopard 1A1-O Brasil possui 128 unidades do Leopard 1A1, de origem alemã, adquiridas da Bélgica a partir de 1997.
Leopard 1A5-Cerca de 220 unidades do Leopard 1A5 permanecem em serviço. O modelo conta com melhorias pontuais, como sistemas de mira atualizados e ajustes limitados na proteção.
M60 A3 TTS-O inventário inclui ainda 91 tanques M60 A3 TTS, de fabricação norte-americana. Muitos desses veículos passam por processos de recuperação para prolongar a vida útil.
Principais limitações dos tanques brasileiros
Os blindados atualmente em uso foram projetados entre as décadas de 1960 e 1970 e não acompanham os padrões tecnológicos mais recentes.
Entre as principais limitações estão:
- Ausência de blindagem composta moderna
- Falta de sistemas de proteção ativa
- Capacidade restrita de guerra eletrônica
- Canhões de 105 mm, inferiores aos calibres de 120 mm ou 125 mm utilizados por forças mais modernas
Além disso, motores e transmissões antigos elevam a frequência de falhas mecânicas, reduzindo a disponibilidade operacional diária.
Comparação com outros países da América do Sul
No cenário regional, alguns países já operam tanques de terceira geração ou modelos amplamente modernizados, como o Leopard 2A4 e o T-72B1.
Essa diferença gera desvantagem em termos de proteção, poder de fogo e integração com sistemas modernos de comando e controle. O Brasil também enfrenta dificuldades adicionais devido à dependência de fornecedores externos para manutenção da frota Leopard 1, cujos contratos de suporte têm prazo limitado.
Para enfrentar o envelhecimento dos blindados, o Exército Brasileiro lançou o programa Nova Couraça, voltado à renovação das forças mecanizadas.
O objetivo é substituir gradualmente os tanques Leopard 1 e M60 por um novo carro de combate principal, além de viaturas associadas.
O que está previsto no programa
O Nova Couraça prevê:
- Aquisição inicial de ao menos 65 novos carros de combate
- Compra de cerca de 78 viaturas de combate de fuzileiros
- Consulta ampla ao mercado internacional
- Busca por transferência de tecnologia
- Integração com sistemas digitais modernos de comando e controle
Perspectivas para o futuro dos blindados brasileiros
O avanço do programa Nova Couraça será decisivo para definir o nível de capacidade blindada do Brasil nos próximos anos. Atrasos podem reduzir ainda mais o número de tanques operacionais, diante do desgaste progressivo da frota atual.
Por outro lado, uma escolha estratégica, com participação da indústria nacional, pode permitir ao país recuperar competitividade regional e manter capacidade de dissuasão militar, além de garantir maior eficiência em diferentes tipos de terreno e missões.



