A atuação de motoristas por meio de aplicativos de transporte transformou a mobilidade urbana na última década e se consolidou como alternativa de renda para milhões de pessoas. No entanto, esse modelo pode passar por uma mudança profunda nos próximos anos. Segundo o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, o avanço dos veículos autônomos tende a reduzir drasticamente a necessidade de motoristas humanos no futuro.
Uber aposta em veículos autônomos e inteligência artificial
Em entrevista concedida ao The Wall Street Journal, Khosrowshahi afirmou que, com o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial e da automação, a profissão de motorista de aplicativo pode deixar de existir entre 10 e 20 anos. Atualmente, apenas nos Estados Unidos, a Uber reúne mais de sete milhões de motoristas e entregadores ativos.
De acordo com o executivo, sistemas automatizados têm potencial para superar o desempenho humano ao volante. Ele destacou que algoritmos podem ser treinados com volumes de dados equivalentes à experiência acumulada de milhões de condutores, além de não sofrerem com distrações ou fadiga.
Estudos apontam diferenças entre humanos e veículos autônomos
Pesquisas realizadas pela Universidade da Califórnia analisaram mais de 2 mil acidentes envolvendo veículos autônomos e cerca de 35 mil ocorrências com motoristas humanos. Os dados indicam que os carros automatizados tendem a adotar mais medidas preventivas, embora apresentem maior incidência de colisões durante a noite e ao amanhecer.
Os pesquisadores ressaltam que a tecnologia ainda está em fase de aprimoramento, especialmente em condições de baixa visibilidade, mas reconhecem avanços significativos em termos de segurança e previsibilidade.
Transição será gradual, afirma CEO da Uber
Apesar das projeções, o CEO da Uber afirma que a substituição total dos motoristas não ocorrerá de forma imediata. Segundo ele, o setor deve passar por uma fase intermediária, com a convivência entre motoristas humanos e veículos autônomos.
“Nos próximos 10 anos, veremos uma rede híbrida. Com o tempo, a participação humana tende a diminuir”, declarou Khosrowshahi. Para o executivo, o processo é inevitável, mas acontecerá de maneira progressiva.
Veículos autônomos já operam em cidades específicas
Embora ainda restrita, a tecnologia já está em operação em algumas localidades. Em cidades como Las Vegas, veículos da Tesla realizam trajetos automatizados em rotas pré-determinadas, como entre o aeroporto e áreas centrais.
Especialistas avaliam que a expansão dos carros autônomos dependerá de regulamentação, infraestrutura urbana adequada e aceitação do público, fatores que ainda variam significativamente entre países e cidades.



