Registros de trabalho escravo crescem no Brasil em 2025

Registros de trabalho escravo crescem no Brasil em 2025

🕓 Última atualização em: 09/01/2026 às 10:36

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão já contabilizado no país. Ao longo do ano, foram 4.515 registros, segundo dados inéditos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

O total representa um crescimento de 14% em relação a 2024, quando o país já havia alcançado o recorde anterior, com 3.959 denúncias. A sequência de aumentos consecutivos reforça a permanência do trabalho escravo contemporâneo como um problema estrutural no Brasil.

Casos incluem adultos e crianças em condições degradantes

As denúncias registradas em 2025 envolvem tanto trabalho escravo infantil quanto situações que atingem adultos submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade. Todos esses elementos caracterizam o crime de trabalho análogo à escravidão, conforme a legislação brasileira.

Janeiro de 2025 foi o mês com o maior volume de denúncias desde a criação do Disque 100, em 2011. Somente no primeiro mês do ano, foram 477 registros, o maior número mensal da série histórica.

Desde que o canal passou a receber denúncias relacionadas ao tema, já foram contabilizados mais de 26 mil registros em todo o país.

Série histórica mostra avanço contínuo das denúncias

Os dados do MDHC indicam um crescimento expressivo ao longo dos últimos anos:

  • 2021: 1.918 denúncias
  • 2022: 2.084 denúncias
  • 2023: 3.430 denúncias
  • 2024: 3.959 denúncias
  • 2025: 4.515 denúncias

Antes desse ciclo recente, o maior número anual havia sido registrado em 2013, com 1.743 denúncias. Em pouco mais de uma década, o volume anual mais que dobrou.

Resgates de trabalhadores permanecem em nível elevado

O aumento das denúncias acompanha o número de resgates realizados pelo poder público. Em 2024, 2.186 pessoas foram retiradas de situações de trabalho análogo à escravidão no Brasil, segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Desde 1995, quando o Estado brasileiro reconheceu oficialmente a existência do trabalho escravo contemporâneo, cerca de 65,6 mil pessoas já foram resgatadas em todo o país.

Esse total é resultado de mais de 8,4 mil ações fiscais, conduzidas principalmente pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, com apoio das unidades regionais do Ministério do Trabalho.

Construção civil e agronegócio lideram número de resgates

Os dados mais recentes revelam que os setores econômicos com maior número de trabalhadores resgatados em 2024 foram:

  • Construção de edifícios: 293 pessoas
  • Cultivo de café: 214
  • Cultivo de cebola: 194
  • Serviços de preparo de terreno, cultivo e colheita: 120
  • Horticultura (exceto morango): 84

Especialistas destacam uma mudança relevante no perfil do problema. Em 2024, 30% dos trabalhadores resgatados estavam em áreas urbanas, evidenciando o avanço do trabalho escravo fora do meio rural, historicamente associado ao agronegócio.

Aumento de denúncias reflete maior conscientização, mas problema persiste

Autoridades e especialistas avaliam que o crescimento dos registros pode estar ligado à maior conscientização da população, à ampliação dos canais de denúncia e ao aumento da confiança nos mecanismos de proteção do Estado.

Ainda assim, os números elevados indicam que o trabalho escravo segue presente em diferentes setores da economia brasileira e exige políticas contínuas de fiscalização, prevenção e responsabilização.

Como denunciar trabalho escravo no Brasil

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma gratuita e anônima.

Disque 100-O Disque 100 funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. As ligações são gratuitas e podem ser feitas de qualquer telefone fixo ou celular.

Sistema Ipê-O governo federal também disponibiliza o Sistema Ipê, canal online específico para denúncias de trabalho escravo. Não é necessário se identificar — basta fornecer o maior número possível de informações sobre o caso.

Importante: Se houver risco imediato à vida ou cárcere privado, você também pode acionar a Polícia Federal (194) ou a Polícia Rodoviária Federal (191), que costumam dar suporte tático aos grupos de resgate.

As denúncias são analisadas pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e encaminhadas aos órgãos responsáveis pela fiscalização e responsabilização.

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