A China anunciou nesta segunda-feira (22) a adoção de tarifas temporárias entre 21,9% e 42,7% sobre produtos lácteos importados da União Europeia. A medida entra em vigor nesta terça-feira (23) e amplia as tensões comerciais entre Pequim e o bloco europeu.
Segundo comunicado divulgado pelo Ministério do Comércio da China, as chamadas “tarifas provisórias” atingem itens como queijos frescos e processados, queijo azul, além de determinados tipos de leite e creme produzidos na União Europeia.
Investigação aponta prejuízo à indústria chinesa
A decisão é resultado de uma investigação sobre possíveis subsídios europeus, iniciada em agosto de 2024 após solicitação da Associação Chinesa de Laticínios. De acordo com as autoridades chinesas, as análises preliminares identificaram indícios de que os incentivos concedidos pela UE teriam causado “danos substanciais” ao setor de laticínios da China.
O processo investigativo deve ser concluído em fevereiro, quando Pequim poderá decidir se mantém, ajusta ou revoga as tarifas temporárias.
Medida se soma a outras ações comerciais
O anúncio ocorre poucos dias após a China ter implementado tarifas antidumping sobre a carne suína importada da União Europeia, reforçando um movimento de maior rigor nas relações comerciais com o bloco. Essas tarifas sobre a carne suína entraram em vigor em 17 de dezembro e variam entre 4,9% e 19,8%, patamar inferior às taxas temporárias aplicadas anteriormente, que iam de 15,6% a 62,4% desde setembro.
Especialistas avaliam que as novas tarifas sobre laticínios fazem parte de um contexto mais amplo de disputas comerciais entre China e União Europeia, envolvendo investigações cruzadas sobre subsídios e práticas comerciais em diferentes setores da economia.
Até a última atualização, a União Europeia não havia anunciado medidas imediatas em resposta às tarifas. Fontes ligadas ao setor afirmam, no entanto, que o bloco avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), caso considere que a decisão chinesa viola regras do comércio internacional.
Representantes europeus também demonstraram preocupação com possíveis efeitos em cadeia sobre exportadores de alimentos, especialmente em países com forte produção de laticínios.
Impacto econômico para exportadores europeus
A China é um dos principais destinos das exportações de laticínios da União Europeia, especialmente para produtos de maior valor agregado, como queijos especiais. Analistas apontam que as tarifas podem:
- reduzir a competitividade dos produtos europeus no mercado chinês;
- pressionar preços internos na UE;
- redirecionar exportações para outros mercados, aumentando a concorrência global.
Relação com disputas em outros setores
Especialistas em comércio internacional avaliam que a medida ocorre em meio a um ambiente de escalada protecionista, marcado por investigações da União Europeia sobre subsídios chineses a veículos elétricos, painéis solares e tecnologia verde.
Esse cenário tem elevado o risco de retaliações cruzadas, ampliando a instabilidade nas relações comerciais entre Pequim e Bruxelas.O Ministério do Comércio da China informou que poderá revisar as tarifas após a conclusão da investigação, prevista para fevereiro. Até lá, os percentuais anunciados permanecem em vigor.
Empresas importadoras e exportadoras já se preparam para ajustes logísticos e contratuais, diante da possibilidade de que as medidas temporárias se tornem definitivas.



