Trump vê libertação de presos na Venezuela como sinal de paz

Trump vê libertação de presos na Venezuela como sinal de paz

🕓 Última atualização em: 09/01/2026 às 08:35

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (9) que a libertação de prisioneiros políticos pela Venezuela representa um “sinal de paz” e revelou que a cooperação do novo governo venezuelano levou Washington a cancelar uma segunda onda de ataques militares contra o país.

A declaração foi feita após o anúncio oficial de Caracas sobre a soltura de opositores e estrangeiros detidos durante o governo de Nicolás Maduro.

Cooperação com novo governo levou à suspensão de ataques

Segundo Trump, a postura adotada pela administração da presidente interina Delcy Rodríguez foi determinante para a decisão norte-americana. O presidente dos EUA afirmou que uma nova ofensiva militar já estava prevista, mas acabou suspensa diante do avanço das negociações.

A primeira operação, realizada recentemente, envolveu uma ação militar pontual em Caracas, com o objetivo de capturar Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, após o agravamento da crise política no país.

Apesar do cancelamento da nova ofensiva, Trump destacou que forças navais norte-americanas continuam posicionadas na região “por razões de segurança”.

Investimentos bilionários no setor de petróleo e gás

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que Estados Unidos e Venezuela estão cooperando especialmente na reconstrução da infraestrutura de petróleo e gás do país sul-americano.

De acordo com o presidente, empresas do setor energético devem investir ao menos US$ 100 bilhões no processo. Trump informou ainda que se reuniria na Casa Branca com representantes das grandes companhias de petróleo para tratar do tema.

Libertação de presos políticos é confirmada

O governo venezuelano confirmou a libertação de um número considerado significativo de prisioneiros políticos e estrangeiros. A medida foi anunciada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que classificou a ação como um gesto unilateral de boa vontade do novo governo.

Entre os nomes libertados está a ativista Rocío San Miguel, especialista em temas militares e diretora da ONG Control Ciudadano. Ela estava presa desde fevereiro de 2024 e foi libertada na quinta-feira (8). A soltura foi confirmada oficialmente pelo governo da Espanha, já que Rocío possui dupla nacionalidade.

Caso Rocío San Miguel ganhou repercussão internacional

Rocío San Miguel havia sido detida após ser acusada pelas autoridades venezuelanas de envolvimento em um suposto plano para assassinar Nicolás Maduro. Ela estava presa no Helicoide, centro de detenção do serviço de inteligência venezuelano, frequentemente denunciado por organizações de direitos humanos como local de tortura.

A ativista foi detida no aeroporto internacional Simón Bolívar, em Caracas, quando se preparava para viajar com a filha, que chegou a ser retida por curto período.

Outros opositores também devem ser libertados

Além de Rocío San Miguel, outros opositores estão entre os beneficiados pela medida. Um deles é o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez, preso desde o início de 2025.

Segundo o jornal espanhol El País, também foram libertados cidadãos espanhóis, como Andrés Martínez Adasme, José María Basoa, Miguel Moreno e Ernesto Gorbe.

Governo venezuelano diz que libertações são unilaterais

Jorge Rodríguez afirmou que a decisão não foi fruto de acordos formais com outros países ou atores políticos. Segundo ele, as libertações atendem a uma demanda recorrente da oposição e fazem parte de um esforço do novo governo para reduzir tensões internas e externas.

“O governo bolivariano decidiu libertar um número significativo de venezuelanos e estrangeiros, e esses processos estão ocorrendo neste momento”, declarou.

Rodríguez é irmão da presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o comando do país após a captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas, no último sábado (3).

Agradecimentos a líderes internacionais

Em conversa com jornalistas, o presidente da Assembleia Nacional agradeceu o apoio de líderes internacionais que, segundo ele, contribuíram para o processo, incluindo o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o governo do Qatar.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre o grau de envolvimento do governo brasileiro ou de outros mediadores nas negociações que resultaram nas libertações.

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