O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou, na manhã desta sexta-feira (05/12), que foi indicado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão surge em um momento de intensa disputa política dentro da direita e após divergências públicas envolvendo integrantes da família Bolsonaro e aliados do partido.
Pelas redes sociais, Flávio afirmou que recebe a missão com senso de responsabilidade e prometeu dar continuidade ao projeto político defendido pelo ex-presidente. A confirmação foi respaldada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que reforçou a escolha com a declaração: “Se Bolsonaro falou, está decidido.”
Bastidores tensos até a definição do nome
A indicação de Flávio ocorre após semanas de especulações e disputas nos bastidores. Jair Bolsonaro segue preso por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o que intensificou a disputa interna pelo protagonismo do campo bolsonarista.
Uma das crises recentes envolveu a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que criticou publicamente conversas do PL sobre uma possível aliança com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A reação causou mal-estar entre dirigentes e filhos do ex-presidente. Apesar do atrito, Michelle se pronunciou após o anúncio e desejou sorte ao senador, pedindo “sabedoria e graça” em sua jornada política.
Desempenho nas pesquisas de intenção de voto
Um levantamento da AtlasIntel divulgado em novembro aponta Flávio Bolsonaro como principal nome da direita na corrida presidencial. No cenário testado, Lula (PT) aparece com 47,3% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 23,1%. Também pontuam Ronaldo Caiado (10,2%), Ratinho Jr. (7,1%) e Romeu Zema (5%).
O desempenho do senador é superior entre jovens de 16 a 24 anos e no eleitorado evangélico. Nos demais segmentos — renda, região, escolaridade e gênero — o atual presidente lidera com vantagem expressiva.
A oficialização da pré-candidatura também coincide com o episódio da vigília organizada por Flávio em apoio ao pai. O ato, realizado há poucas semanas, foi citado pelo ministro Alexandre de Moraes como um dos motivos para a revogação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. O ex-presidente também é acusado de violar regras da tornozeleira eletrônica. Flávio criticou a decisão, afirmando que ela limita o direito de manifestação religiosa e política.
Base bolsonarista comemora; Centrão reage com cautela
Entre apoiadores fiéis do bolsonarismo, o anúncio foi recebido com entusiasmo. Influenciadores e ex-integrantes do governo, como Paulo Figueiredo e Mário Frias, elogiaram a escolha e destacaram a lealdade de Flávio ao pai.
No entanto, setores do Centrão não demonstraram o mesmo entusiasmo. Informações de bastidores indicam que siglas como União Brasil, PSD, Republicanos e PP podem manter distância da candidatura. Até então, o grupo apostava em Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, como nome capaz de unificar a direita.
A repercussão provocou efeitos imediatos no mercado: o dólar teve alta de 2,3% e o Ibovespa recuou 4,3%, reflexo da percepção de incerteza em relação a alianças eleitorais.
No campo oposto, lideranças petistas trataram o anúncio com naturalidade. O deputado Lindbergh Farias classificou a escolha como previsível e afirmou que o nome indicado pelo bolsonarismo não altera o cenário projetado pelo partido para 2026. Segundo ele, Lula permanece favorito à reeleição, independentemente do adversário.



