Trabalho e aprendizagem falhos: Brasil perde R$ 1 trilhão ao ano

Trabalho e aprendizagem falhos: Brasil perde R$ 1 trilhão ao ano

🕓 Última atualização em: 01/12/2025 às 10:48

Uma pesquisa divulgada pela Pearson revela que o Brasil deixa de gerar R$ 1,08 trilhão por ano devido a falhas no processo de aprendizagem e adaptação profissional durante diferentes fases da vida laboral. O levantamento, chamado “Perdidos na Transição”, avaliou três momentos-chave do ciclo de trabalho e indica que o país apresenta a maior perda proporcional entre todas as regiões analisadas.

Brasil lidera perdas proporcionais entre oito economias avaliadas

O estudo comparou seis países e dois grandes estados norte-americanos – Califórnia e Nova York. No ranking, o Brasil aparece em primeiro lugar, com prejuízo equivalente a 9,19% do PIB de 2024.
Veja os principais resultados:

  • Brasil: 9,19% do PIB
  • Califórnia: 4,86%
  • Canadá: 4,76%
  • Estados Unidos: 4,04%
  • Nova York: 3,92%

Segundo a Pearson, as economias mais afetadas globalmente costumam registrar perdas relacionadas à automação. No Brasil, porém, o maior problema está na transição entre empregos — fase que representa 65% do prejuízo total, ou R$ 701 bilhões por ano.

Recolocação lenta agrava prejuízos

O grande gargalo brasileiro é a dificuldade de recolocação profissional. De acordo com o estudo, um trabalhador leva em média 42 semanas para conseguir um novo emprego, o que supera países como:

  • Canadá: 18 semanas
  • Reino Unido: 32 semanas

A pesquisa estima que reduzir esse período em 20% poderia gerar R$ 140 bilhões extras por ano para a economia.

Para Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil, o cenário aponta um descompasso estrutural:
“Há uma distância clara entre o que a educação e o mercado oferecem e o que a economia realmente exige”, destacou ela ao CNN Money.

A executiva também chamou atenção para o impacto dos jovens “nem-nem” — aqueles que nem estudam, nem trabalham — que representam cerca de 20% da população entre 18 e 24 anos.

Automação já causa perdas e ameaça 32% dos empregos

Outro ponto crítico identificado pelo levantamento é a disrupção tecnológica. A automação já provoca perdas estimadas em R$ 241 bilhões por ano, equivalente a 22% do total.

O risco futuro também preocupa:

  • 32% dos empregos no Brasil estão altamente suscetíveis à automação,
    um índice maior do que o registrado em países como:
  • Austrália: 26%
  • Estados Unidos: 22%

Nespoli afirma que o Brasil pode se antecipar:
Podemos aprender com o que ocorreu em mercados mais maduros e investir desde já em requalificação. Temos a vantagem de contar com uma população mais jovem”, ressaltou. Da escola ao mercado a transição também preocupa

Mesmo representando perdas menores, a passagem da educação para o mundo do trabalho é considerada pela Pearson um desafio estratégico para economias em desenvolvimento. O processo pode afetar não só a produtividade nacional, como também os rendimentos individuais ao longo da vida.

O que o estudo recomenda

O relatório encerra com duas recomendações principais aos formuladores de políticas públicas no Brasil:

  1. Combater o desemprego estrutural
    • Criar programas de recolocação mais rápida
    • Ampliar iniciativas de requalificação
    • Melhorar a conexão entre empresas e trabalhadores
  2. Preparar o país para a automação
    • Investir com antecedência em capacitação tecnológica
    • Evitar que a automação se torne, no futuro, a principal fonte de perda econômica

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