Maior usina nuclear do mundo é autorizada a operar no Japão

Maior usina nuclear do mundo é autorizada a operar no Japão

🕓 Última atualização em: 22/12/2025 às 07:51


Em um movimento histórico para a política energética asiática, o Japão deu o sinal verde final para o reinício das atividades na usina de Kashiwazaki-Kariwa, considerada a maior central nuclear do planeta. A decisão, tomada nesta segunda-feira (22), marca um ponto de virada na trajetória do país, que busca recuperar sua autonomia energética quase 15 anos após a tragédia de Fukushima.

A assembleia da província de Niigata votou a favor da retomada, apoiando a posição do governador Hideyo Hanazumi. Este é o último obstáculo político para que a Tokyo Electric Power Co (TEPCO) — a mesma operadora da usina de Fukushima Daiichi — volte a operar os reatores.

O retorno estratégico da energia nuclear

Desde o terremoto e tsunami de 2011, que levaram ao fechamento de 54 reatores em todo o país, o Japão tem enfrentado o desafio de depender excessivamente de combustíveis fósseis importados. Atualmente, cerca de 70% da eletricidade japonesa provém de fontes externas, gerando um custo bilionário para a balança comercial.

A reativação de Kashiwazaki-Kariwa é vista pela primeira-ministra Sanae Takaichi como essencial para:

  1. Segurança Energética: Reduzir a vulnerabilidade econômica diante da alta de preços do gás e carvão.
  2. Descarbonização: Cumprir metas ambientais e dobrar a participação nuclear na matriz elétrica para 20% até 2040.
  3. Expansão Tecnológica: Atender à crescente demanda de energia gerada por novos data centers de Inteligência Artificial.

Apesar do aval político, a decisão não é unânime entre a população. Na frente da Assembleia de Niigata, centenas de manifestantes protestaram sob baixas temperaturas, entoando canções tradicionais e exibindo cartazes contra a energia nuclear.

Muitos moradores locais, como a agricultora Ayako Oga — que fugiu da zona de exclusão de Fukushima em 2011 — expressam temor. “Conhecemos os riscos na pele e não podemos ignorá-los”, afirmou a ativista, destacando o trauma psicológico que ainda persiste na região.

Pesquisas de opinião realizadas recentemente apontam que **aproximadamente 60% da população da província de Niigata ainda demonstra receio em relação à retomada das atividades da usina nuclear. A resistência é maior quando o tema envolve a administração da Tokyo Electric Power Company (TEPCO), responsável pela operação da instalação.

Cronograma de reativação da usina

A expectativa é que o primeiro dos sete reatores da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa retome as operações a partir de 20 de janeiro. Como parte da estratégia para reduzir a oposição de moradores e autoridades locais, a Tokyo Electric Power Company (TEPCO) anunciou um plano de investimentos estimado em 100 bilhões de ienes (cerca de US$ 641 milhões) destinados à melhoria da infraestrutura da província ao longo dos próximos dez anos.

A reativação gradual da usina de Kashiwazaki-Kariwa deve elevar a oferta de energia elétrica na região metropolitana de Tóquio em aproximadamente 2%, segundo estimativas do setor. O reforço na geração é visto como um fator importante para reduzir a pressão sobre o sistema elétrico nacional, especialmente em períodos de maior demanda.

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