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Brasil amplia opções seguras de transplante de medula óssea

🕓 Última atualização em: 12/12/2025 às 17:36

Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros revelou que transplantes de medula óssea realizados com doadores familiares parcialmente compatíveis — conhecidos como doadores haploidênticos — oferecem segurança e eficácia comparáveis às obtidas com doadores totalmente compatíveis e sem parentesco. A conclusão amplia as alternativas de tratamento para pacientes com leucemia aguda que não encontram um irmão compatível.

Os resultados foram apresentados durante a 67ª Reunião da Sociedade Americana de Hematologia (ASH), realizada de 6 a 9 de dezembro em Orlando, nos Estados Unidos. A pesquisa foi liderada pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO). No total, participaram 21 centros nacionais e mais de 500 pacientes submetidos ao transplante entre 2018 e 2021. O acompanhamento clínico se estendeu até 2024.

Maior acesso ao transplante para quem não tem doador 100% compatível

O estudo comparou dois tipos de doadores:

  • MUD (Matched Unrelated Donor) — doadores não aparentados, porém totalmente compatíveis;
  • Haplo (Haploidentical Donor) — doadores parcialmente compatíveis, como pai, mãe, filhos ou irmãos.

Segundo os pesquisadores, a taxa de sobrevivência global foi semelhante entre os pacientes que receberam medula de doadores haploidênticos e aqueles que tiveram um doador 100% compatível de registro. Para Nelson Hamerschlak, coordenador de Hematologia do Einstein, o achado elimina uma das maiores barreiras ao transplante: a falta de doador ideal.

A hematologista Mariana Kerbauy reforça que a diversidade genética da população brasileira dificulta a busca por compatibilidade total nos bancos de doadores.

A miscigenação no Brasil torna mais difícil encontrar alguém 100% compatível. A possibilidade de usar familiares parcialmente compatíveis como doadores representa um avanço essencial”, afirma.

Como era o transplante de medula antes da ampliação para doadores meio compatíveis

Durante décadas, o transplante de medula óssea dependia quase exclusivamente de doadores totalmente compatíveis. Isso significava que o procedimento só era realizado quando o paciente encontrava alguém com 100% de compatibilidade genética — normalmente um irmão biológico. Como apenas 25% dos irmãos são compatíveis, a maioria dos pacientes não tinha essa opção.

Quando não havia um irmão compatível, médicos recorriam aos registros internacionais de doadores voluntários, mas isso também apresentava desafios:

1-O transplante convencional exigia que o doador tivesse um conjunto completo de marcadores genéticos (HLA) igual ao do paciente.
Isso limitava drasticamente as possibilidades de doação.

2-A procura por um doador completamente compatível podia levar meses, tempo que muitos pacientes com leucemia aguda não têm.
Em alguns casos, não era encontrado nenhum doador ideal.

3-Pacientes de países com grande diversidade genética, como o Brasil, tinham maior dificuldade para achar alguém compatível nos bancos internacionais.
Enquanto europeus e norte-americanos encontravam doadores com mais facilidade, brasileiros enfrentavam buscas longas e, muitas vezes, frustradas.

4-Transplantes com compatibilidade incompleta eram evitados porque apresentavam maiores riscos de:

  • rejeição da medula
  • doença do enxerto contra o hospedeiro (GVHD)
  • complicações graves pós-transplante

Por isso, médicos preferiam não transplantar quando não havia doador ideal — algo que deixava pacientes sem alternativa terapêutica.

O que a descoberta representa para os pacientes

A equivalência entre os dois tipos de doadores abre caminho para:

  • ampliar o número de transplantes realizados no país;
  • reduzir o tempo de espera por um doador;
  • acelerar o tratamento de pacientes em estado mais grave;
  • tornar o procedimento mais acessível, especialmente em casos de leucemia aguda.

O estudo reforça que a estratégia haploidêntica é segura, eficaz e pode ser adotada amplamente no Brasil, beneficiando pacientes que antes não teriam acesso ao transplante por falta de compatibilidade.

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