Fraude bilionária na Americanas teve coordenação do ex-CEO

Fraude bilionária na Americanas teve coordenação do ex-CEO

🕓 Última atualização em: 21/01/2026 às 11:54

O maior escândalo corporativo da história do varejo brasileiro ganhou um novo e decisivo capítulo. Três anos após a revelação do rombo contábil na Americanas, a Superintendência de Processos Sancionadores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) concluiu que a fraude foi meticulosamente planejada e chefiada por Miguel Gutierrez, ex-CEO da companhia.

O relatório da CVM aponta que Gutierrez e um grupo de diretores estatutários operaram à margem do Conselho de Administração e de comitês internos para manipular os balanços financeiros por mais de uma década.


O Núcleo do Esquema: Quem são os envolvidos?

Embora mais de 40 nomes tenham sido investigados pela Polícia Federal, a CVM identificou 31 pessoas diretamente ligadas às irregularidades. No “núcleo duro” da fraude, além de Gutierrez, figuram nomes como:

  • Anna Saicali: Ex-CEO da B2W (braço digital da empresa).
  • Márcio Cruz Meirelles e Fábio Abrate: Ex-diretores que fecharam acordos de delação premiada.
  • José Timóteo de Barros: Ex-vice-presidente.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o grupo é responsável por uma fraude estimada em R$ 22,8 bilhões, utilizando informações falsas para inflar o valor das ações e atrair investidores.

A “Palavra Final” e as Delações

As conclusões da CVM reforçam os depoimentos colhidos pelo MPF. O ex-diretor Márcio Cruz Meirelles, em sua colaboração premiada, afirmou que nada acontecia sem o aval de Gutierrez. Segundo o delator, o ex-CEO detinha a “palavra final” sobre as manipulações contábeis.

Ao todo, quatro ex-executivos já firmaram acordos de delação, detalhando a pressão por resultados inexistentes e a engenhosidade usada para esconder as dívidas com bancos (o chamado “risco sacado”).


Por que a CVM defende a punição da companhia?

Um ponto central do documento técnico da CVM é a necessidade de responsabilizar a pessoa jurídica da Americanas, e não apenas os indivíduos. O órgão argumenta que:

  1. Proteção ao Mercado: Deixar de punir a empresa passaria uma mensagem de impunidade para outros administradores.
  2. Responsabilidade Estatutária: A fraude foi cometida por diretores no exercício de suas funções legais.
  3. Justiça às Vítimas: Acionistas, debenturistas e o mercado de capitais foram os principais lesados pela desinformação.

Não punir a companhia seria o mesmo que ensinar a todo o mercado o caminho para nunca mais ser punido”, destaca o parecer da CVM.


Próximos Passos do Processo

Com o encerramento da apuração técnica, os acusados agora entram na fase de defesa. Eles podem propor termos de compromisso (acordos financeiros) para encerrar o caso antes do julgamento final pelo colegiado da CVM. Paralelamente, o processo criminal segue no MPF, onde os envolvidos respondem por:

  • Associação criminosa;
  • Manipulação de mercado;
  • Uso de informação privilegiada (insider trading);
  • Falsidade ideológica.

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