O México viveu horas de forte tensão após uma operação das forças federais que terminou com a morte de Nemésio Rubén Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, apontado como líder do Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG). Segundo autoridades mexicanas, a ação ocorreu no domingo (22) na região de Tapalpa, no estado de Jalisco, e foi seguida por uma reação em cadeia de grupos armados ligados ao cartel, com bloqueios de estradas, incêndios de veículos e ataques a agentes de segurança em diferentes pontos do país.
Como as forças de segurança chegaram ao esconderijo
De acordo com a versão oficial apresentada por autoridades mexicanas, a localização do traficante foi possível após vigilância ligada ao círculo íntimo de uma parceira romântica. Investigadores identificaram e passaram a monitorar um associado de confiança relacionado a essa parceira; o deslocamento até Tapalpa, onde “El Mencho” se encontraria, ajudou a confirmar o paradeiro do alvo. A operação também contou com informações de inteligência fornecidas pelos Estados Unidos, conforme informado por autoridades do México.
Ainda segundo o relato oficial, unidades do Exército e da Guarda Nacional montaram um cerco terrestre e mobilizaram apoio aéreo com helicópteros para fechar rotas de fuga. O confronto se intensificou quando “El Mencho” tentou escapar com seguranças para uma área de mata e acabou localizado “escondido na vegetação”, momento em que houve nova troca de tiros. Ele e dois guarda-costas foram feridos, detidos e morreram durante o deslocamento rumo à Cidade do México.
Escalada de represálias e “narcobloqueios”
Após a morte do líder, a resposta do CJNG foi descrita por autoridades como “extremamente violenta”, com ações coordenadas para interromper circulação e pressionar o Estado. Registros citados na imprensa internacional incluem queima de veículos, fechamento de vias com barricadas e ataques contra forças de segurança, especialmente em áreas de Jalisco e arredores.
Em meio ao caos, houve impactos sobre a rotina de cidades e corredores rodoviários importantes, elevando o clima de medo e a percepção de “pânico coletivo” relatada por moradores em diferentes regiões.
Mortos, presos e o custo para as forças de segurança
O balanço de vítimas varia conforme as atualizações ao longo do dia, mas autoridades mexicanas relataram um número elevado de mortos entre agentes públicos e suspeitos. Em declaração divulgada pela Reuters, o ministro da Segurança do México, Omar García Harfuch, afirmou que 25 integrantes da Guarda Nacional morreram em ataques no estado de Jalisco após a operação, além da morte de uma autoridade do Ministério Público estadual.
Já autoridades mexicanas citadas pela Associated Press indicaram que, somando a operação e a violência subsequente, mais de 70 pessoas morreram, incluindo forças de segurança, suspeitos e outras vítimas, além de dezenas de detenções.
Por que “El Mencho” era prioridade máxima (e a recompensa dos EUA)
“El Mencho” era considerado um dos alvos mais procurados por México e Estados Unidos. O Departamento de Estado norte-americano oferecia recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à captura e/ou condenação do líder do CJNG, organização associada ao tráfico internacional de drogas e a episódios de violência de alto impacto.
Participação dos EUA: inteligência, não “operação conjunta”
O que aparece com consistência nos relatos é que houve apoio de inteligência dos Estados Unidos para a ação, mas a condução tática foi das forças mexicanas, conforme descrito por autoridades do México à imprensa.



