Combate ao garimpo ilegal no Amazonas causa prejuízo de R$ 1,4 bilhão em 2025

Combate ao garimpo ilegal no Amazonas causa prejuízo de R$ 1,4 bilhão em 2025

🕓 Última atualização em: 12/01/2026 às 07:15

As ações de repressão à mineração clandestina e ao tráfico de ouro no Amazonas atingiram um patamar histórico em 2025. Dados consolidados revelam que as operações da Polícia Federal (PF) resultaram na destruição de 375 infraestruturas logísticas, incluindo dragas e balsas, gerando um impacto financeiro superior a R$ 1,4 bilhão para o crime organizado.

Diferente de anos anteriores, o foco das autoridades em 2025 migrou da simples fiscalização de campo para o sufocamento do núcleo financeiro das quadrilhas.

Estratégia de Descapitalização: Ouro e Lavagem de Dinheiro

Além da inutilização de equipamentos pesados em rios e terras indígenas, a Polícia Federal avançou sobre as contas bancárias dos envolvidos. Foram bloqueados mais de R$ 74 milhões em bens e ativos, visando desarticular esquemas complexos de lavagem de dinheiro que legalizavam o ouro extraído ilegalmente em áreas de preservação e territórios de povos isolados.

De acordo com Jonathas Simas, chefe em exercício da Delegacia de Meio Ambiente da PF-AM, o garimpo deixou de ser uma atividade artesanal isolada para se tornar uma operação de grandes organizações criminosas, com impactos profundos nos direitos humanos e no equilíbrio ambiental.


Além do Crime Ambiental: Resgate de Trabalhadores

As incursões em 2025 reforçaram que o garimpo ilegal carrega outros delitos graves. Durante as operações, as equipes encontraram:

  • Trabalho Escravo: Pessoas em condições degradantes e análogas à escravidão.
  • Contaminação Química: Uso indiscriminado de mercúrio nos leitos dos rios.
  • Invasão de Terras: Avanço sobre Unidades de Conservação e Reservas Indígenas.

O esforço contou com a colaboração de órgãos como Ibama, ICMBio, Funai, Ministério Público do Trabalho e as Forças Armadas.


Retrospectiva 2025: As Maiores Operações no Amazonas

OperaçãoDataLocalizaçãoDestaque
Mineração Obscura 2FevereiroMauésResgate de trabalhadores em situação de escravidão.
KampôJulhoJutaíDestruição de 16 dragas em regiões de difícil acesso.
BoiúnaSetembroHumaitá e ManicoréA maior do ano: 270 dragas desativadas no Rio Madeira.
Fronteira DouradaNovembroDivisa com ColômbiaAção internacional para conter o tráfico de ouro transfronteiriço.
Hekurawetaris IIINovembroRios do AmazonasFoco na logística e desarticulação de equipamentos remotos.

Por que o garimpo ilegal é uma ameaça?

O garimpo ilegal representa uma ameaça grave porque provoca danos ambientais, sociais, econômicos e institucionais de forma simultânea.

Do ponto de vista ambiental, a atividade causa desmatamento acelerado, destruição de rios e contaminação da água com mercúrio, afetando ecossistemas inteiros e colocando em risco a biodiversidade da Amazônia. Esses impactos são, em muitos casos, irreversíveis.

No campo social e humanitário, o garimpo ilegal está associado à violência, à exploração de trabalhadores, inclusive em condições análogas à escravidão, e à ameaça direta a povos indígenas e comunidades tradicionais, comprometendo sua saúde, cultura e segurança alimentar.

Além disso, trata-se de um crime econômico estruturado. O garimpo ilegal alimenta organizações criminosas, envolve lavagem de dinheiro, evasão de divisas e enfraquece a arrecadação do Estado, ao explorar recursos naturais sem qualquer controle legal ou tributário.

Por fim, a prática fragiliza as instituições públicas, desafia a presença do Estado em áreas remotas e compromete políticas de preservação ambiental, tornando-se uma ameaça não apenas local, mas também nacional e internacional.

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