O estado do Paraná enfrenta um cenário preocupante em relação às arboviroses, com a dengue liderando as estatísticas de casos e óbitos em 2025. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) revelam que, apesar das ações de combate ao Aedes aegypti, a incidência dessas doenças transmitidas por mosquitos permanece alta, exigindo atenção contínua das autoridades e da população. O recente balanço da Sesa para o ano epidemiológico de 2025 e o início de 2026 mostram a necessidade urgente de intensificar as medidas de prevenção e controle.
O período epidemiológico de 2025, que compreendeu de janeiro a dezembro, registrou um total alarmante de 305.594 notificações de casos suspeitos de dengue, dos quais 92.620 foram confirmados. Lamentavelmente, 145 pessoas perderam a vida em decorrência da doença. Além da dengue, a chikungunya também se mostrou um problema de saúde pública, com 6.090 casos confirmados e 8 óbitos.
O vírus Zika, embora com menor número de notificações (207), não pode ser negligenciado, pois representa um risco, especialmente para gestantes. Adicionalmente, a presença do vírus Oropouche no estado, com 150 casos confirmados a partir de 179 notificações, demonstra a diversidade de arboviroses circulantes e a complexidade do desafio para a saúde pública.
Estratégias de Combate e Prevenção da Dengue
Diante deste quadro, a Sesa tem intensificado as ações de vigilância epidemiológica e de controle vetorial, buscando reduzir a proliferação do Aedes aegypti. Campanhas de conscientização são fundamentais para informar a população sobre a importância de eliminar focos de água parada, onde o mosquito se reproduz. A colaboração da comunidade é essencial para o sucesso dessas iniciativas.
O diagnóstico precoce da dengue e de outras arboviroses é crucial para garantir o tratamento adequado e reduzir o risco de complicações e óbitos. A Sesa orienta os profissionais de saúde a estarem atentos aos sinais e sintomas das doenças e a realizarem os testes diagnósticos o mais rápido possível. A capacitação contínua dos profissionais de saúde é uma prioridade.
Além das medidas de controle vetorial e de diagnóstico, a vacinação contra a dengue representa uma importante ferramenta de prevenção. A Sesa tem avaliado a possibilidade de ampliar a oferta da vacina para grupos prioritários, como crianças e adolescentes, em áreas de maior incidência da doença. A eficácia da vacina tem sido comprovada em estudos clínicos, demonstrando seu potencial para reduzir o número de casos e hospitalizações.
Impacto Socioeconômico e Desafios Futuros
A alta incidência de dengue e outras arboviroses não apenas causa sofrimento humano, mas também gera um impacto socioeconômico significativo. Os custos com tratamento médico, hospitalizações e afastamento do trabalho representam um ônus para o sistema de saúde e para a economia do estado. Além disso, a ocorrência de surtos de dengue pode afetar o turismo e outras atividades econômicas.
Para enfrentar os desafios futuros, é fundamental investir em pesquisa e inovação, buscando novas tecnologias e estratégias de controle vetorial. A biotecnologia, por exemplo, oferece soluções promissoras, como o uso de mosquitos geneticamente modificados para reduzir a população do Aedes aegypti. A colaboração entre universidades, centros de pesquisa e setor privado é essencial para impulsionar a inovação na área da saúde pública.
A mudança climática representa um fator de risco adicional para a proliferação do Aedes aegypti e a disseminação das arboviroses. O aumento da temperatura e as alterações nos padrões de chuva criam condições favoráveis para a reprodução do mosquito e a expansão de seu território. É preciso adotar medidas de adaptação e mitigação para reduzir os impactos da mudança climática na saúde pública. O investimento em saneamento básico e acesso à água potável são essenciais para eliminar criadouros do mosquito em áreas vulneráveis.



