Há mais de vinte anos nas prateleiras, os refrigerantes zero açúcar se tornaram populares entre consumidores que buscam reduzir calorias. Porém, apesar da imagem de aliados da dieta, especialistas alertam que o produto está longe de ser inofensivo. Um novo estudo apresentado na Semana Europeia de Gastroenterologia associou o consumo de bebidas com adoçantes artificiais ao aumento de até 60% no risco de gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática.
Segundo os pesquisadores, esses adoçantes podem gerar picos de glicose e insulina, favorecendo um desequilíbrio metabólico que compromete a saúde hepática.
Refrigerante zero pode interferir no paladar e estimular o consumo de calorias
O fígado não é o único órgão impactado. Especialistas destacam que o consumo frequente de refrigerantes zero mantém o paladar condicionado ao sabor doce, o que pode levar à chamada compensação calórica — quando o organismo busca energia em outros alimentos, aumentando a ingestão de calorias ao longo do dia.
“Ausência de açúcar não significa bebida saudável”, afirma a nutricionista Fabiana Rasteiro, do Hospital Israelita Albert Einstein.
Além disso, essas bebidas não oferecem vitaminas ou minerais e podem substituir opções naturais e nutritivas, prejudicando a qualidade da dieta.
Não é água: refrigerante zero contém aditivos e não hidrata
Apesar de ser comparado equivocadamente à água, o refrigerante zero é um produto ultraprocessado com corantes, conservantes e compostos químicos. A bebida também está associada a desgaste dentário e risco de cáries, devido ao pH ácido, além de possíveis danos aos ossos, especialmente em versões com ácido fosfórico — comum nos refrigerantes de cola.
Quando inseridos com frequência na rotina, podem influenciar a flora intestinal, o metabolismo e a sensibilidade ao sabor doce.
Por que o refrigerante zero não hidrata?
O refrigerante zero não substitui a hidratação oferecida pela água porque:
- contém gases, conservantes e adoçantes, que não contribuem para os processos metabólicos do corpo;
- apresenta pH ácido, o que pode favorecer desgaste dentário e irritação gástrica;
- estimula pouca ou nenhuma reposição de minerais perdidos no dia a dia.
Ou seja, apesar de líquido, ele não cumpre a função fisiológica de hidratar.
O que a OMS diz sobre o uso de adoçantes artificiais
Os adoçantes artificiais são amplamente utilizados em refrigerantes zero e produtos light para garantir o sabor doce sem adicionar calorias. Porém, isso não significa que sejam totalmente seguros. De acordo com a OMS, os adoçantes não devem ser considerados uma solução eficaz para emagrecimento a longo prazo. Evidências mostram que o consumo frequente pode alterar a percepção do paladar, aumentar o desejo por doces e interferir no metabolismo.
Entre os pontos de atenção destacados por especialistas estão:
-Possível alteração da microbiota intestinal, com impacto na absorção de nutrientes;
-Estímulo à liberação de insulina mesmo sem ingestão de glicose real;
-Classificação do aspartame como “possivelmente cancerígeno” desde 2023 — o que não confirma relação direta com câncer, mas indica necessidade de vigilância e estudos contínuos.
Com base nisso, a entidade recomenda que o consumo seja moderado e não diário, respeitando limites seguros de ingestão.
Bebidas mais saudáveis para substituir o refrigerante
Para quem deseja reduzir o consumo de açúcar e adotar hábitos mais equilibrados, existem alternativas naturais e bem menos prejudiciais ao organismo. Veja opções com melhor perfil nutricional:
| Bebida | Benefícios em relação ao refrigerante |
|---|---|
| Água | Hidrata, não tem calorias e não oferece risco ao fígado ou à saúde bucal. |
| Água com gás e frutas | Refrescante, sabor leve e sem adição de químicos. |
| Chás naturais (quentes ou gelados) | Podem ter ação digestiva, antioxidante e relaxante. |
| Água de coco | Rica em minerais e ótima para reposição de eletrólitos. |
| Suco natural diluído | Menos açúcar que o suco puro, além de vitaminas e antioxidantes. |
| Kombucha | Bebida fermentada que pode favorecer o equilíbrio da microbiota intestinal. |
| Infusões com ervas e especiarias | Aromáticas, sem açúcar e benéficas para digestão. |
Como reduzir a dependência do sabor doce
A adaptação do paladar acontece gradualmente. Para facilitar o processo:
-reduza o consumo de refrigerantes ao longo da semana;
-alterne com água saborizada ou chás gelados;
-diminua a quantidade de adoçantes de forma progressiva.
Com o tempo, o desejo por bebidas muito doces costuma diminuir — facilitando escolhas mais saudáveis no dia a dia.



