O ano de 2025 termina como um marco para a oncologia global e brasileira. Entre a aprovação de novas terapias não hormonais e a ampliação do acesso a exames preventivos no SUS, os avanços científicos deste ano desenham um cenário de maior sobrevida e qualidade de vida para os pacientes.
Especialistas apontam que a combinação de tecnologia de ponta e mudanças nos protocolos de saúde pública foi o grande diferencial deste ciclo.
Câncer de Mama: Novos protocolos e terapias de suporte
Um dos destaques do ano foi a atualização nas diretrizes do Ministério da Saúde, que passou a oferecer mamografias sob demanda para mulheres de 40 a 49 anos na rede pública. A medida visa aumentar as taxas de diagnóstico precoce, fase em que as chances de cura são significativamente maiores.
No campo medicamentoso, o Elinzanetant surgiu como uma promessa para melhorar o bem-estar das pacientes. O fármaco não hormonal foca na redução dos sintomas da menopausa induzida pelo tratamento oncológico e aguarda o aval da Anvisa para chegar ao mercado brasileiro nos próximos meses.
Saúde Masculina e Cirurgia Robótica
O tratamento do câncer de próstata também deu saltos importantes em 2025. O oncologista Carlos Fruet destaca três pilares que evoluíram este ano:
- Cirurgia Robótica: Ampliação da disponibilidade de procedimentos minimamente invasivos.
- Radioterapia de Precisão: Refinamento das técnicas para preservar tecidos saudáveis.
- Novos Fármacos: Medicamentos que prolongam a vida de pacientes mesmo em estágios avançados da doença.
O estilo de vida como “Remédio”
Estudos apresentados no congresso da ASCO e publicados no New England Journal of Medicine confirmaram que o comportamento do paciente pós-tratamento é decisivo. A ciência comprovou que a prática regular de exercícios físicos reduz o risco de recidiva (retorno do câncer) em casos de tumores de intestino.
“O exercício deve ser encarado com a mesma seriedade que uma prescrição medicamentosa”, afirma o Dr. Carlos Fruet, reforçando que hábitos saudáveis são fundamentais para o sucesso terapêutico.
O que esperar para 2026: Terapias Celulares e IA
As projeções para o próximo ano são centradas em tecnologia e democratização do acesso a tratamentos complexos:
1. Terapia CAR-T no SUS
A Fiocruz planeja expandir a oferta da terapia celular CAR-T, que reprograma as células de defesa do próprio paciente para atacar o câncer. Além disso, o projeto nacional desenvolvido pelo Instituto Butantan, em parceria com a USP e o Hemocentro de Ribeirão Preto, deve avançar para o registro na Anvisa no segundo semestre de 2026.
2. Inteligência Artificial no Diagnóstico
A inteligência artificial no diagnóstico médico avança rapidamente de um estágio experimental para uma aplicação cada vez mais presente na rotina clínica. Em 2025, a tendência é que sistemas baseados em IA passem a atuar de forma integrada ao trabalho dos médicos, especialmente na análise de exames de imagem, como tomografias, ressonâncias magnéticas e mamografias, além da interpretação de grandes volumes de dados clínicos e laboratoriais.
Algoritmos de alta precisão conseguem identificar padrões sutis que, muitas vezes, passam despercebidos em análises convencionais. Isso permite diagnósticos mais precoces, maior assertividade na definição de condutas e redução da necessidade de procedimentos invasivos, como biópsias desnecessárias. Outro benefício esperado é a agilidade: exames podem ser avaliados em menos tempo, encurtando o intervalo entre a suspeita e o início do tratamento.
Especialistas ressaltam, no entanto, que a IA não substitui o profissional de saúde. A tecnologia atua como ferramenta de apoio à decisão, oferecendo uma segunda leitura qualificada e auxiliando o médico a concentrar esforços nos casos mais complexos. A expectativa é que, com protocolos bem definidos e validação científica contínua, a inteligência artificial contribua para tornar o diagnóstico mais preciso, seguro e acessível nos próximos anos.



