Grupos guerrilheiros colombianos que atuam na região de fronteira com a Venezuela declararam estar preparados para enfrentar uma possível ação dos Estados Unidos na América do Sul. As manifestações ocorreram neste domingo (4), um dia após a captura de Nicolás Maduro, e elevaram o nível de tensão no cenário regional.
As declarações foram divulgadas por organizações armadas envolvidas historicamente no conflito colombiano e reacenderam alertas sobre segurança e instabilidade na fronteira entre os dois países.
ELN e dissidências das Farc fazem ameaças públicas
O Exército de Libertação Nacional (ELN) divulgou um comunicado no qual afirma se unir a “patriotas, democratas e revolucionários” para enfrentar o que classificou como “planos imperialistas” dos Estados Unidos contra a Venezuela e outros países do Sul Global.
Já dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), grupo que firmou acordo de paz em 2016, mas teve facções que permaneceram armadas, adotaram um tom ainda mais agressivo. Em publicações nas redes sociais, os integrantes afirmaram que lutariam “até a última gota de sangue” contra os Estados Unidos, caso considerem necessário.
Presença armada na Venezuela preocupa especialistas
Analistas em segurança e política regional apontam que essas guerrilhas mantêm circulação frequente em território venezuelano, especialmente em áreas próximas à fronteira. Segundo especialistas, os grupos armados estariam envolvidos no tráfico de cocaína e operariam com tolerância ou conivência de setores das Forças Armadas venezuelanas.
A presença desses grupos em solo venezuelano amplia o risco de confrontos transnacionais e dificulta o controle da criminalidade na região.
Colômbia reforça fronteira e entra em alerta
Diante das ameaças, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, determinou a mobilização de cerca de 30 mil soldados para reforçar os pontos de passagem na fronteira com a Venezuela. O governo colombiano também elevou o nível de alerta para possíveis atentados ou ações armadas promovidas por grupos ilegais.
Autoridades colombianas avaliam que o atual contexto geopolítico aumenta o risco de incidentes de segurança e exige monitoramento permanente da região fronteiriça.
Escalada de tensão preocupa a comunidade internacional
A combinação de discursos beligerantes, presença de grupos armados ilegais e instabilidade política na Venezuela tem gerado preocupação entre governos da região e organismos internacionais. Especialistas alertam que qualquer confronto envolvendo potências externas pode agravar ainda mais a crise humanitária e de segurança na América do Sul.
O impacto de uma escalada militar na Venezuela sobre o Brasil seria crítico:
- Crise Humanitária: Explosão no fluxo de refugiados em Roraima, sobrecarregando saúde e infraestrutura.
- Insegurança Fronteiriça: Risco de avanço de facções criminosas e guerrilhas em áreas de fronteira seca.
- Economia: Instabilidade no comércio regional e pressão sobre os custos de assistência federal.
- Tensão Diplomática: O Brasil seria forçado a abandonar a neutralidade, lidando com a presença de forças estrangeiras vizinhas.
Em suma: o conflito exportaria instabilidade política e social diretamente para o território brasileiro.



