Uma operação conjunta entre as Polícias Civis do Rio de Janeiro e de São Paulo resultou na prisão de Floyd L. Wallace Jr., de 30 anos, na última segunda-feira (22). O influenciador norte-americano, conhecido por seu canal no YouTube, é investigado por estupro de vulnerável e aliciamento de crianças e adolescentes em solo brasileiro.
A prisão ocorreu no bairro da Liberdade, na capital paulista, após o suspeito deixar o Rio de Janeiro em meio às investigações. Segundo as autoridades, Wallace utilizava perfis falsos e aplicativos de transporte para atrair menores de idade.
Quem é Floyd Wallace Jr.? Do “Copwatch” ao crime no Brasil
Floyd L. Wallace Jr. é um youtuber norte-americano que ganhou notoriedade nos Estados Unidos por produzir vídeos de confrontos com forças policiais, alegando exercer direitos constitucionais ligados à liberdade de expressão e à fiscalização de autoridades públicas. Ele mantinha um canal no YouTube no qual se apresentava como “auditor constitucional”, prática comum entre criadores de conteúdo que gravam abordagens policiais para questionar a legalidade das ações dos agentes.
No entanto, por trás da fachada de defensor da liberdade de expressão, o histórico do youtuber revela:
- Ficha Criminal Extensa: Registros em mais de 13 estados americanos por agressão a policiais, resistência e conduta desordenada.
- Perfil de Alta Periculosidade: Autoridades dos EUA já o classificavam como um indivíduo que exige cautela em abordagens.
- “Passport Bro”: Em suas redes sociais, Wallace se autodeclarava “turista sexual”, termo usado para homens que viajam a países em desenvolvimento visando a exploração sexual facilitada por disparidades econômicas.
Como o esquema foi descoberto?
A investigação no Brasil ganhou força após um alerta do Ciberlab (Ministério da Justiça) e a denúncia crucial de um motorista de aplicativo.
Em dezembro de 2025, o motorista estranhou ao transportar duas meninas menores de idade na Zona Norte do Rio que afirmaram estar indo ao encontro de um “estrangeiro que não falava português”. A empresa de transporte colaborou com a polícia, revelando um padrão de contas falsas e trajetos suspeitos envolvendo adolescentes.
A Prisão e os Itens Apreendidos
Com o apoio da agência americana Homeland Security Investigations (HSI), a polícia confirmou a identidade real de Wallace, que usava o nome falso “Terry William”. Durante a abordagem em São Paulo, ele resistiu à prisão e precisou ser contido.
Entre os materiais confiscados com o suspeito, os investigadores encontraram:
- Dispositivos de espionagem: Um relógio com câmera oculta e diversos cartões de memória.
- Equipamentos eletrônicos: Notebook, cinco celulares e pendrives.
- Itens suspeitos: Touca ninja, chips telefônicos e bichos de pelúcia (possivelmente usados para atrair as vítimas).
Penas podem chegar a 34 anos
As penas atribuídas a Floyd Wallace Jr. podem chegar a até 34 anos de prisão, caso ele seja condenado pelos crimes investigados no Brasil.
Segundo as autoridades, ele responde por estupro de vulnerável e favorecimento à exploração sexual infantil, delitos previstos no Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Somadas, as penas máximas desses crimes alcançam esse patamar, a depender do número de vítimas, das circunstâncias e de eventual agravamento reconhecido pela Justiça.
A investigação segue em andamento para apurar se há outras vítimas e se os crimes ocorreram também em outros locais, o que pode influenciar no desdobramento do processo e na dosimetria da pena.
A Polícia Civil reforça que denúncias de violência ou exploração sexual infantil podem ser feitas de forma anônima pelos canais oficiais.



