Barómetro da Lusofonia aponta saúde à frente de educação e economia

Barómetro da Lusofonia aponta saúde à frente de educação e economia

🕓 Última atualização em: 28/01/2026 às 15:41

As questões relacionadas à saúde aparecem como a principal preocupação da população portuguesa, concentrando 55% das menções entre os maiores problemas enfrentados no país. O dado integra o primeiro Barómetro da Lusofonia, estudo inédito que avalia percepções sociais em oito países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A pesquisa será apresentada oficialmente nesta quarta-feira (28), em Lisboa, na sede da CPLP. Em Portugal, o percentual relacionado à saúde supera a média geral dos países analisados, que ficou em 53%.

Pesquisa avalia desafios sociais na lusofonia

O levantamento contou com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e analisou indicadores ligados a saúde, educação, desemprego, violência, economia, imigração e esporte, oferecendo um retrato abrangente da realidade social nos países lusófonos.

Segundo o coordenador do estudo, o cientista político António Lavareda, o resultado português pode parecer contraditório à primeira vista, considerando que o país apresenta, em geral, melhores condições de saúde do que outros integrantes da CPLP. No entanto, ele explica que, em sociedades com desafios estruturais mais graves, outras urgências acabam se sobrepondo.

Educação e economia também aparecem entre as principais preocupações

Em Portugal, a educação ocupa o segundo lugar no ranking das inquietações sociais, com 35% das menções, seguida pela economia, citada por 22% dos entrevistados. A imigração aparece em quarto lugar, com 17%.

Diferentemente de outros países da CPLP, o desemprego não figura entre os principais problemas para os portugueses, sendo mencionado por apenas 9% dos participantes da pesquisa.

O estudo revela ainda que Portugal é visto como um dos destinos mais desejados pela população dos demais países de língua portuguesa. De acordo com Lavareda, o país é percebido como um local de oportunidades e qualidade de vida, despertando interesse em diferentes dimensões sociais, culturais e econômicas.

Futebol português desperta maior interesse internacional

No campo do esporte, o futebol português lidera, com ampla vantagem, o interesse dos cidadãos dos países analisados, alcançando uma média de 54%. O futebol brasileiro aparece na sequência, com 31%.

As seleções e campeonatos de Angola (9%) e Cabo Verde (7%) apresentam níveis mais baixos de interesse, enquanto os demais países registram percentuais residuais. No conjunto, 36% dos entrevistados afirmaram não acompanhar o futebol de nenhum outro país lusófono.

Metodologia e abrangência do estudo

O Barómetro da Lusofonia foi conduzido pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), com sede no Brasil, e analisou 25 indicadores sociais. A coordenação geral ficou a cargo de António Lavareda, que destacou a importância de fortalecer o conhecimento mútuo entre os países que compartilham a língua portuguesa.

Segundo o pesquisador, há uma percepção crescente de que a língua pode servir como base para um projeto comum de integração, ampliando a cooperação política, cultural e social no cenário internacional.

Panorama geral dos países analisados

Considerando o conjunto dos oito países pesquisados, os principais problemas apontados pela população são saúde (53%), educação (43%) e desemprego (34%). A principal exceção é Moçambique, onde apenas 28% destacam a saúde como principal desafio.

Em Angola, a educação lidera as preocupações, com 53%, seguida pela saúde (48%) e pelo desemprego (45%). A inflação aparece em posição de destaque, com peso superior à média dos países analisados.

Guiné-Bissau e São Tomé apresentam índices elevados

Na Guiné-Bissau, os indicadores de preocupação com saúde (85%) e educação (78%) são os mais altos registrados no estudo, evidenciando deficiências severas na oferta de serviços públicos essenciais.

Em São Tomé e Príncipe, a saúde também lidera as preocupações (48%), seguida pelo desemprego (40%) e pela educação (29%).

Timor-Leste e Moçambique

Em Timor-Leste, os entrevistados apontam níveis semelhantes de preocupação com saúde (59%), educação (59%) e desemprego (58%), indicando múltiplos desafios sociais.

Já em Moçambique, a educação aparece como principal problema (35%), seguida pelo desemprego (21%) e por questões econômicas, como inflação e custo de vida.

Violência se destaca no Brasil e em Cabo Verde

No Brasil, os principais problemas identificados foram saúde (45%), violência (40%) e educação (35%). Em Cabo Verde, a violência também apresenta peso elevado (47%), mas fica atrás do desemprego (60%) e da saúde (55%).

A inflação e o aumento de preços foram mencionados por 25% dos entrevistados, o segundo maior índice entre os países analisados.

Violência e perfil demográfico

De acordo com Lavareda, os índices de violência estão relacionados à estrutura etária das sociedades. Países com populações mais jovens tendem a registrar maiores taxas de criminalidade. No caso brasileiro, o pesquisador destaca que o número de homicídios caiu cerca de 20% nos últimos cinco anos, em parte devido ao envelhecimento da população.

O Barómetro da Lusofonia terá periodicidade bienal e pretende se consolidar como uma referência internacional em estudos sobre democracia, desenvolvimento e identidade cultural no espaço lusófono. Além do Pnud, a iniciativa contou com apoio de instituições acadêmicas e culturais.

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