A estratégia russa de focar bombardeios contra a infraestrutura vital da Ucrânia mergulhou o país em um cenário de sobrevivência extrema neste início de 2026. Com ataques diários de mísseis e drones desde outubro, a rede elétrica nacional opera em estado de emergência, deixando milhões de civis sem luz, água e aquecimento sob um inverno rigoroso.
Em Kiev, a capital, o cenário é de desolação, especialmente nos bairros periféricos e mais pobres. Com temperaturas que oscilaram até -20 °C nas últimas semanas, a população luta para manter o básico: dignidade e calor.
O drama da “Sobrevivência por Escala”
Para os moradores dos grandes blocos residenciais na margem esquerda do rio Dniepre, a rotina foi substituída por uma logística de guerra doméstica. “Ficamos até 20 horas sem energia. Quando a luz volta, geralmente de madrugada, é o sinal para carregar baterias e estocar água”, relata Oksana, moradora local cujo prédio já sofreu danos por drones.
A interrupção elétrica traz um efeito cascata: sem energia, as bombas de água não funcionam, deixando os andares mais altos totalmente desabastecidos. Muitos moradores, sem condições financeiras ou familiares para deixar a cidade, improvisam isolamento térmico com painéis de madeira em janelas destruídas.
Êxodo urbano e os “Pontos de Invencibilidade”
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, estima que cerca de 600 mil pessoas já deixaram a capital após o agravamento dos ataques em janeiro. Para os que ficam, a esperança reside nos chamados “Pontos de Invencibilidade” — tendas e edifícios públicos equipados com geradores onde é possível carregar celulares, acessar a internet e buscar aquecimento.
Entretanto, a rede de apoio está no limite. Muitos desses abrigos enfrentam falta de combustível para os geradores, e as escolas da capital permanecerão fechadas até fevereiro na tentativa de reduzir o consumo e proteger os alunos.
Alerta de emergência global na rede elétrica
A concessionária de energia DTEK informou que os cronogramas de racionamento não são mais garantidos, classificando a situação como uma crise energética sem precedentes mundiais.
“Não houve um único dia sem apagões no último mês“, afirmou a empresa em nota oficial.
Enquanto o Ministério da Energia da Ucrânia corre contra o tempo para reparar as centrais térmicas, o governo alerta para o risco de novos ataques russos mirarem subestações que conectam as plantas nucleares, o que poderia levar a um colapso total e irreversível do sistema energético ucraniano.



