Brasileiros vivem clima de medo e se isolam em casa após operação contra imigrantes nos EUA

Brasileiros vivem clima de medo e se isolam em casa após operação contra imigrantes nos EUA

🕓 Última atualização em: 18/11/2025 às 07:26

Uma operação surpresa conduzida pela Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos gerou forte tensão entre imigrantes brasileiros que vivem em Charlotte, na Carolina do Norte. No primeiro dia da ação, realizada no sábado (15), 81 pessoas foram presas, entre elas três brasileiros, segundo organizações que acompanham o caso. A ação ocorreu em uma região considerada, até então, segura para imigrantes.

A mobilização das autoridades provocou mudança imediata na rotina da população local: ruas ficaram praticamente vazias, moradores evitaram circular em áreas públicas — até mesmo supermercados — e igrejas suspenderam cultos por receio de abordagens durante as celebrações religiosas.


Comunidade relata pânico e sensação de insegurança

A entidade comunitária Mutual Embrace Latino Voices, que oferece suporte a brasileiros e latinos, informou que dezenas de pessoas foram detidas já no início da operação.

Entre os relatos, está o de Admisterlan Mendes, residente em Indian Trail há quase nove anos. Ele descreveu o sábado como um dia marcado pelo medo coletivo:

“Todo mundo que eu conheço ficou dentro de casa”, afirmou, destacando que viu agentes atuando em diversos pontos, incluindo comércios e locais religiosos.

Segundo Mendes, essa é a primeira vez que a comunidade enfrenta uma situação dessa magnitude na região, antes reconhecida como acolhedora e tranquila para imigrantes.


Comunicação via grupos online se torna ferramenta de alerta

Diante da mobilização, grupos no WhatsApp passaram a compartilhar vídeos, áudios e localizações em tempo real, servindo como sistema informal de monitoramento para evitar áreas de risco.

“Eles postam vídeos o dia inteiro. Se vemos que estão em South Charlotte, ninguém passa por lá”, explicou Mendes.


Igrejas suspendem cultos e fiéis fogem para áreas de mata

A tensão também atingiu congregações cristãs frequentadas por imigrantes brasileiros e latinos. Diversas igrejas optaram por cancelar celebrações no fim de semana, incluindo a Lagoinha Charlotte, devido à circulação de agentes nas proximidades.

Em vídeos compartilhados por fiéis, é possível ver pessoas correndo para uma área de mata ao perceberem a aproximação de viaturas. ver Gota e excesso de ácido úrico: sintomas, prevenção e tratamento


Preocupação com deportações imediatas e altos custos de fiança

A situação intensificou o medo de deportações rápidas, especialmente entre imigrantes que não possuem documentação ou que entraram no país pela fronteira mexicana. Mensagens compartilhadas na comunidade sugerem que esses grupos estariam mais vulneráveis ao retorno imediato ao país de origem, sem direito a fiança.

Já imigrantes que vieram com visto relatam temer altos valores de caução, que poderiam chegar a US$ 30 mil.

Admisterlan, que vive sem regularização migratória, confessou que o receio é constante:

“Se me pegarem, eu não tenho esse dinheiro”, afirmou, acrescentando que não pretende voltar ao Brasil devido ao cenário político.


Operação pode durar dias, mas sem confirmação oficial

Documentos compartilhados entre imigrantes mencionam que a operação pode se estender por até 10 dias, embora a informação não tenha sido confirmada oficialmente. Até o momento, a Patrulha de Fronteira não divulgou detalhes sobre o prazo ou o alcance da ação.

Diante da incerteza, muitas famílias seguem recolhidas, reorganizando rotinas, evitando deslocamentos e buscando apoio comunitário.

“Ver isso acontecer aqui é surreal”, disse Admisterlan.

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