Um vídeo gravado na BR-364 mostrou um ônibus ligado à Secretaria Municipal de Saúde de Rolim de Moura (RO) trafegando em velocidade muito acima do permitido e realizando ultrapassagens de alto risco enquanto transportava pacientes no retorno de Porto Velho para o município. As imagens circularam nas redes sociais e geraram forte repercussão em Rondônia e também fora do estado.
O que aparece nas imagens
O registro foi feito por um motorista que seguia atrás do ônibus. Em um trecho do vídeo, o velocímetro do carro marca 140 km/h, enquanto o limite de velocidade na via, em determinados pontos, é de 80 km/h. Ainda assim, o carro não consegue se aproximar do coletivo, o que reforça a impressão de que o ônibus seguia em ritmo ainda mais agressivo do que o veículo que filmava.
Além da velocidade, o vídeo mostra manobras consideradas perigosas. A situação mais grave ocorre durante uma ultrapassagem forçada: o ônibus invade a faixa contrária e o caminhão à frente precisa ir para o acostamento para evitar uma colisão frontal com outro veículo que vinha no sentido oposto.
Por que o caso preocupa ainda mais
O ponto central da revolta pública é que não se trata de um veículo vazio. Segundo as informações divulgadas na cobertura do caso, o ônibus transportava pacientes. Ou seja, o risco não atingia apenas quem estava na rodovia, mas também pessoas sob responsabilidade direta do serviço público de saúde, muitas delas em condição de maior vulnerabilidade após atendimentos e deslocamentos longos.
Em deslocamentos desse tipo, também é comum haver idosos, pacientes com limitações físicas, pessoas em pós-procedimento e acompanhantes. Por isso, qualquer condução imprudente amplia o potencial de dano. Mesmo sem acidente, a exposição ao risco já é, por si só, um problema grave.
O que a prefeitura e a Secretaria de Saúde informaram
Após a circulação do vídeo, a Prefeitura/Secretaria Municipal de Saúde informou, em nota, que tomou conhecimento das imagens em 17/02/2026 e classificou a conduta como grave, envolvendo alta velocidade e manobras perigosas. Também declarou que identificou o servidor e determinou o afastamento imediato do motorista para apuração e adoção das medidas administrativas cabíveis, conforme a legislação vigente.
Outras publicações locais também relataram que a gestão municipal afirmou que abriria procedimento administrativo para investigar a conduta e reforçou que não tolera atitudes que coloquem usuários e a população em risco.
O que tende a acontecer a partir de agora
Com o afastamento, o próximo passo costuma ser a apuração formal dos fatos em processo administrativo. Em geral, esse tipo de procedimento busca esclarecer:
- Se houve excesso de velocidade e em quais trechos.
- Se ocorreram ultrapassagens em local proibido ou sem condições de segurança.
- Se houve descumprimento de normas internas para transporte de pacientes.
- Se existem registros de rastreamento, tacógrafo, escala e ordem de serviço.
Dependendo do que for confirmado, as medidas podem variar de advertência e suspensão até outras sanções administrativas, além de possíveis encaminhamentos às autoridades de trânsito, se couber.
Segurança no transporte de pacientes precisa ser regra, não sorte
Esse caso chama atenção porque transporte em saúde não é “corrida contra o tempo” na estrada. É cuidado. É prevenção. E é responsabilidade. A pressa, quando vira imprudência, transforma um serviço essencial em ameaça.



