Astrônomos de diferentes partes do mundo têm identificado sinais consistentes de que o Universo pode estar entrando em uma fase de desaceleração. Um dos indícios mais relevantes é a queda gradual no nascimento de novas estrelas — um fenômeno que sugere que o cosmos já ultrapassou seu período mais ativo.
Embora a formação estelar esteja diminuindo, isso não significa que o Universo esteja próximo de ficar “sem estrelas”. Estimativas científicas indicam que ele pode conter até um septilhão de estrelas — o equivalente a 1 seguido de 24 zeros. O que muda é o ritmo: cada vez menos estrelas novas surgem ao longo do tempo.

Estrelas surgiram logo após o Big Bang
O consenso científico aponta que o Universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos. As primeiras estrelas começaram a se formar pouco depois do Big Bang, quando grandes nuvens de gás e poeira deram origem às chamadas protoestrelas.
Em 2024, o Telescópio Espacial James Webb identificou um conjunto de estrelas extremamente antigas na Via Láctea, com idade estimada acima de 13 bilhões de anos, reforçando a compreensão sobre as fases iniciais do Universo.
Como nasce e morre uma estrela
As estrelas se formam em nebulosas — vastas regiões compostas por gás e poeira. A força da gravidade faz com que esse material se concentre, aquecendo-se até iniciar a fusão nuclear, quando átomos de hidrogênio passam a formar hélio. Nesse estágio, a estrela entra na chamada sequência principal.
Cerca de 90% das estrelas do Universo estão nessa fase, incluindo o Sol. Com o tempo, porém, o combustível se esgota. Estrelas menores se apagam lentamente, enquanto estrelas muito massivas podem terminar sua existência em explosões conhecidas como supernovas, em um nascimento.
Universo é dominado por estrelas antigas
Estudos publicados na última década indicam que aproximadamente 95% de todas as estrelas que existirão no Universo já nasceram. O auge da formação estelar ocorreu há cerca de 10 bilhões de anos, período conhecido como “Meio-dia Cósmico”.
Segundo o cosmólogo Douglas Scott, professor da Universidade da Colúmbia Britânica, as galáxias continuam transformando gás em estrelas, mas em um ritmo cada vez menor.

Dados de milhões de galáxias confirmam resfriamento gradual
Scott é coautor de um estudo em pré-publicação que analisou informações coletadas pelos telescópios Euclid e Herschel, ambos da Agência Espacial Europeia.
A pesquisa avaliou mais de 2,6 milhões de galáxias e observou que a temperatura da poeira estelar tem diminuído ao longo de bilhões de anos — um sinal direto da redução na taxa de formação de novas estrelas.
Embora estrelas antigas possam fornecer material para o nascimento de novas, esse processo não é totalmente eficiente. Parte do gás se perde, tornando cada nova geração menor do que a anterior.
“Cada ciclo de formação estelar consome parte do combustível disponível. Com o tempo, não haverá material suficiente para formar novas estrelas”, explica Scott.
O futuro do Universo: o Grande Congelamento
Entre as teorias mais aceitas sobre o fim do Universo está a chamada morte térmica, ou Grande Congelamento. Nesse cenário, a expansão contínua do cosmos dispersa a energia disponível, tornando o ambiente frio demais para sustentar a formação de estrelas e, eventualmente, a própria vida.
Apesar disso, não há motivo para preocupação imediata. Estimativas indicam que novas estrelas continuarão surgindo pelos próximos 10 a 100 trilhões de anos — muito além do tempo de vida restante do Sol, estimado em cerca de 5 bilhões de anos.
Ainda há muito tempo para observar o céu
Cálculos recentes sugerem que o fim definitivo do Universo pode ocorrer apenas em um intervalo quase inimaginável: cerca de um quinvigintilhão de anos, número representado por 1 seguido de 78 zeros.
Até lá, o céu estrelado seguirá sendo um espetáculo acessível — e um lembrete de que, mesmo desacelerando, o Universo ainda tem uma longa história pela frente.
Resumo
- Astrônomos observam uma desaceleração no nascimento de estrelas, indicando que o Universo já passou por seu período mais ativo.
- O total de estrelas no Universo pode chegar a até um septilhão, mas a taxa de formação de novas estrelas está diminuindo.
- O Telescópio Espacial James Webb identificou estrelas antigas na Via Láctea, reforçando a formação estelar após o Big Bang.
- Cerca de 95% das estrelas já nasceram, e a formação estelar atingiu o ápice há 10 bilhões de anos, durante o ‘Meio-dia Cósmico’.
- Teorias apontam que o fim do Universo pode ocorrer em cerca de um quinvigintilhão de anos, com novas estrelas ainda por surgir por trilhões de anos.



