Servidores Técnico-Administrativos em Educação (TAEs) das universidades federais do Paraná iniciaram uma greve nesta terça-feira, marcando uma escalada nas tensões entre a categoria e o governo federal. A paralisação, aprovada em assembleia do Sinditest, reflete uma insatisfação generalizada com as condições de trabalho, a falta de cumprimento de acordos anteriores e a crescente preocupação com a precarização do ensino superior público.
A decisão de cruzar os braços ocorre em um momento delicado para as universidades federais, que já enfrentam cortes orçamentários e desafios na gestão de recursos. A greve, que se junta a um movimento nacional da FASUBRA, promete intensificar o debate sobre o futuro do financiamento e da valorização dos servidores na educação superior.
A adesão à greve varia entre as instituições, mas o impacto já é sentido na rotina acadêmica, com a suspensão de atividades administrativas e a incerteza sobre a continuidade de serviços essenciais. A expectativa é que a paralisação se prolongue por tempo indeterminado, a depender do avanço das negociações com o governo.
Reivindicações e Desafios nas Universidades Paranaenses
No cerne da paralisação estão uma série de reivindicações específicas de cada instituição, além de demandas nacionais que afetam toda a categoria. Na UFPR, a situação no Complexo Hospital de Clínicas (CHC) é particularmente crítica, com os servidores demandando a implementação do acordo sobre Hora Ficta, que visa garantir a organização da jornada e a compensação justa do tempo trabalhado.
A questão da insalubridade também é central, com os servidores buscando a revisão dos adicionais e o reconhecimento das reais condições laborais, muitas vezes expostos a riscos e agentes nocivos à saúde. Soma-se a isso a urgência de medidas efetivas de combate ao assédio moral, com políticas de prevenção e responsabilização, e a construção de um Plano de Saúde institucional que atenda às necessidades dos trabalhadores.
Já na UTFPR, os servidores clamam pelo cumprimento da Resolução 45/2021, que assegura a prioridade de remoções e transferências antes da abertura de novos concursos. A precariedade da infraestrutura em parte dos prédios também é motivo de preocupação, com relatos de falhas estruturais e de equipamentos que comprometem a segurança e a qualidade do trabalho.
Em âmbito nacional, a categoria defende a jornada de 30 horas semanais, com manutenção e ampliação da flexibilização, como forma de melhorar as condições de trabalho e ampliar o atendimento à população. A implementação do RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências) para toda a categoria, incluindo aposentados e pensionistas, é outra prioridade, assim como a rejeição à Reforma Administrativa e ao PL 6170/2025, que institui o RSC-TAE sem cumprir o acordo da greve de 2024.
O Sinditest enfatiza o cumprimento integral do Acordo de Greve de 2024 como um dos eixos prioritários do movimento, cobrando a efetivação de todos os compromissos assumidos pelo governo. A categoria acusa o governo de descumprir promessas e de não priorizar a valorização dos servidores da educação superior.
Impacto e Perspectivas da Greve
A greve dos servidores federais no Paraná tem um impacto significativo no funcionamento das universidades, afetando desde a rotina administrativa até a oferta de serviços essenciais à comunidade acadêmica e à população em geral. A paralisação expõe a fragilidade do sistema de educação superior, que enfrenta cortes orçamentários, falta de pessoal e condições de trabalho precárias.
O desfecho da greve dependerá da capacidade de negociação entre o governo e as entidades sindicais, bem como da pressão exercida pela categoria e pela sociedade em defesa da educação pública e de qualidade. A assembleia agendada para esta terça-feira definirá os membros do Comando de Greve, que terá a responsabilidade de conduzir as negociações e de articular as ações do movimento. A expectativa é que a paralisação se prolongue até que o governo apresente propostas concretas e que atendam às demandas dos servidores.



