Servidores técnico-administrativos em educação (TAEs) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e do Complexo Hospital de Clínicas (CHC) iniciaram uma greve por tempo indeterminado, a partir desta terça-feira. A paralisação, deliberada em assembleia do Sinditest-PR, ecoa uma mobilização nacional da categoria, que busca o cumprimento de acordos prévios e melhorias nas condições de trabalho.
A decisão de cruzar os braços reflete um crescente descontentamento com a morosidade nas negociações com o governo federal e com questões específicas que afetam diretamente o cotidiano dos servidores nas instituições paranaenses. A expectativa é que a greve pressione por respostas concretas e demonstre a força da categoria.
A adesão à greve varia entre as instituições, com algumas áreas consideradas essenciais mantendo um contingente mínimo de funcionários para evitar prejuízos irreparáveis à população, especialmente no CHC, onde a assistência à saúde é prioritária.
Reivindicações Nacionais e o Contexto da Paralisação
A greve nacional dos TAEs, liderada pela FASUBRA, não se limita a questões salariais. No cerne das reivindicações está o cumprimento integral do Acordo de Greve de 2024, que abrange diversos pontos, desde a reestruturação da carreira até a recomposição do orçamento das universidades federais.
Adicionalmente, os servidores lutam pela implementação da jornada de 30 horas semanais, sem redução salarial, e pela garantia de condições de trabalho adequadas, incluindo o combate ao assédio moral e a valorização da saúde do trabalhador. A rejeição à Reforma Administrativa, vista como uma ameaça aos direitos dos servidores e à qualidade dos serviços públicos, também é um ponto central da pauta.
O cenário político-econômico do país, marcado por restrições orçamentárias e debates sobre o papel do serviço público, serve de pano de fundo para a mobilização. Os servidores argumentam que a valorização dos TAEs é fundamental para o bom funcionamento das universidades e para a oferta de educação de qualidade à população.
A greve ocorre em um momento delicado, com o início do ano letivo se aproximando e a necessidade de garantir a continuidade dos serviços essenciais. No entanto, os servidores se mostram determinados a lutar por seus direitos e a pressionar por mudanças que beneficiem toda a categoria.
Impactos Locais e Próximos Passos
No âmbito local, a greve dos TAEs no Paraná tem particularidades. No CHC, por exemplo, a implementação do acordo sobre Hora Ficta, que visa organizar a jornada de trabalho e compensar o tempo trabalhado, é uma demanda urgente. A revisão dos adicionais de insalubridade, com o reconhecimento das reais condições de trabalho, também é um ponto crucial.
Na UTFPR, o cumprimento da Resolução 45/2021, que garante a prioridade na remoção e transferência de servidores antes da abertura de novos concursos, é uma forma de valorizar os profissionais que já integram a instituição. Além disso, questões estruturais, como as condições precárias de alguns espaços de trabalho, também são alvo de reivindicações.
Uma nova assembleia está agendada para os próximos dias, com o objetivo de avaliar o andamento da greve, definir as estratégias de negociação e eleger os membros do Comando de Greve. A expectativa é que a mobilização continue ganhando força e que o governo federal se mostre disposto a dialogar e a atender às demandas dos servidores.



