Queda de araucária centenária impulsiona resgate genético no Paraná

🕓 Última atualização em: 08/05/2026 às 19:32

Uma das maiores araucárias do Brasil, localizada na Estação Experimental da Embrapa em Caçador, Santa Catarina, tombou recentemente. A notícia mobilizou equipes da Embrapa Florestas, que agora trabalham para coletar material genético e tentar a clonagem da árvore, visando preservar suas características únicas.

A árvore, conhecida como “Pinheirão”, possuía impressionantes 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro, conforme medições da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Sua queda representa uma perda significativa para o patrimônio natural e científico do país.

Embora a data exata da queda não seja conhecida, a Embrapa agiu rapidamente para tentar preservar o material genético da araucária. A iniciativa busca garantir que as características excepcionais da árvore, como sua altura e potencial longevidade, não se percam.

O Desafio da Clonagem e a Importância da Preservação Genética

O processo de clonagem de árvores adultas, especialmente de grande porte, é um desafio técnico. A equipe da Embrapa está coletando brotações viáveis da árvore caída, que serão enxertadas em laboratório. A expectativa é que o processo de enxertia leve cerca de cem dias para confirmar o sucesso da clonagem.

A preservação do material genético de árvores como o Pinheirão é fundamental para a conservação da biodiversidade e para o desenvolvimento de estudos sobre a adaptação das espécies às mudanças climáticas. Além disso, a clonagem pode permitir a replicação de características desejáveis em programas de melhoramento genético.

Araucaria angustifolia, nome científico da araucária, é uma espécie nativa da Mata Atlântica e um símbolo da região Sul do Brasil. No entanto, a espécie está ameaçada de extinção devido ao desmatamento e à exploração madeireira. A preservação de exemplares como o Pinheirão é, portanto, crucial para a conservação da espécie.

A iniciativa da Embrapa em Caçador não é inédita. Em Cruz Machado, no Paraná, uma araucária de grande porte também foi clonada após a queda, em um trabalho similar conduzido pela Embrapa Florestas. Essa experiência anterior serve de referência técnica para a operação em Santa Catarina.

Impacto Ambiental e a Necessidade de Estudos Contínuos

A queda do Pinheirão levanta questões sobre o impacto das mudanças climáticas em árvores de grande porte. Estudos recentes indicam que o aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e ventos fortes, pode contribuir para a queda de árvores centenárias.

A análise dos anéis de crescimento da araucária, mesmo que incompleta devido ao tronco oco, pode fornecer informações valiosas sobre sua história e sua resposta a variações climáticas ao longo do tempo. Essa análise, combinada com outros estudos ecológicos, pode ajudar a prever o impacto das mudanças climáticas em outras espécies arbóreas e a desenvolver estratégias de conservação mais eficazes.

Além do valor científico e ecológico, o Pinheirão também possuía um valor simbólico e cultural para a comunidade local. A árvore era um ponto de referência na paisagem e um símbolo da riqueza natural da região. A preservação do seu legado genético é uma forma de honrar essa história e de garantir que as futuras gerações possam conhecer e apreciar a beleza e a importância das araucárias.

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