Paraná tem média diária de 105 reclamações sobre serviços de saúde

Um levantamento recente, divulgado pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) com base em dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), revela um aumento preocupante nas falhas de assistência à saúde no Brasil. Em 2025, foram contabilizados mais de 480 mil eventos adversos, o que suscita discussões sobre a necessidade urgente de aprimorar os protocolos de segurança do paciente em todo o território nacional.

O estudo aponta que a maioria dos incidentes ocorre em hospitais, mas clínicas e laboratórios também contribuem para esse cenário alarmante. Especialistas alertam que os números podem ser ainda maiores, uma vez que nem todas as instituições registram as falhas no sistema NOTIVISA, subestimando a real dimensão do problema.

O crescimento contínuo desses eventos adversos nos últimos anos demonstra a urgência de medidas preventivas e corretivas. Em 2023, foram registrados 368.028 casos, saltando para 425.951 em 2024 e atingindo o pico de 480.283 em 2025, o que demonstra um aumento constante na ocorrência desses problemas.

A Raiz do Problema: Onde as Falhas Acontecem?

Diversos fatores contribuem para a ocorrência de falhas na assistência à saúde. Entre os mais comuns, destacam-se incidentes relacionados a cateteres, sondas e outros dispositivos médicos, além de lesões por pressão, quedas de pacientes e falhas em processos clínicos e na identificação correta dos pacientes. A complexidade do sistema de saúde e a pressão sobre os profissionais também podem influenciar negativamente a qualidade do atendimento.

A identificação correta do paciente, por exemplo, é um dos pilares da segurança assistencial. Quando essa etapa falha, todo o processo de cuidado fica comprometido, aumentando o risco de erros graves, como a administração incorreta de medicamentos ou a realização de procedimentos inadequados.

A falta de padronização de processos e a variabilidade clínica são outros fatores que contribuem para a ocorrência de eventos adversos. Quando não há protocolos claros e bem definidos, a probabilidade de erros aumenta, colocando em risco a saúde dos pacientes.

Um dos dados mais relevantes do levantamento é a identificação das falhas. A grande maioria, cerca de 202 mil, foi identificada por profissionais de saúde, o que demonstra um esforço de vigilância ativa dentro das instituições. No entanto, a notificação por parte dos pacientes e seus familiares ainda é baixa, o que indica a necessidade de maior conscientização sobre a importância da participação do público no monitoramento da segurança do atendimento.

Estratégias para um Sistema de Saúde Mais Seguro

Diante desse cenário, é fundamental implementar estratégias eficazes para reduzir as falhas na assistência à saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que grande parte desses eventos adversos é evitável, o que reforça a importância de investir em medidas preventivas e corretivas.

A acreditação hospitalar, por exemplo, é uma ferramenta poderosa para promover a segurança do paciente. Ao adotar padrões rigorosos de qualidade e segurança, as instituições de saúde podem padronizar processos, fortalecer a cultura de segurança e reduzir o risco de erros. A certificação demonstra um compromisso com a excelência no atendimento e a proteção dos pacientes.

Além da acreditação, outras medidas podem ser implementadas, como a capacitação contínua dos profissionais de saúde, a implementação de protocolos de segurança baseados em evidências científicas, a utilização de tecnologias para reduzir erros e a criação de um ambiente de trabalho seguro e colaborativo. A notificação e análise de eventos adversos também são cruciais para identificar as causas dos problemas e implementar melhorias.

A farmacovigilância, que monitora os efeitos adversos de medicamentos, e a vigilância sanitária, que fiscaliza as condições de higiene e segurança nos estabelecimentos de saúde, são outras ferramentas importantes para garantir a segurança do paciente. Ao fortalecer esses sistemas de vigilância, é possível identificar e corrigir problemas antes que eles causem danos aos pacientes.

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