MPPR pede destituição de conselheira titular do Tribunal de Contas do Paraná

🕓 Última atualização em: 24/01/2026 às 20:22

Uma conselheira tutelar do município de Quatiguá, no Norte Pioneiro do Paraná, enfrenta acusações graves que podem culminar em sua destituição do cargo. O Ministério Público do Paraná (MPPR), através da Promotoria de Justiça de Joaquim Távora, ajuizou uma Ação Civil Pública solicitando o afastamento definitivo da conselheira, alegando condutas incompatíveis com a função e falta de idoneidade moral. As denúncias incluem violação de sigilo funcional, prevaricação, e uso indevido de recursos públicos.

A conselheira já estava afastada preventivamente do Conselho Tutelar desde julho do ano anterior, por solicitação do MPPR ao Judiciário, em decorrência das investigações preliminares que apontavam para as irregularidades.

O caso ganhou notoriedade devido à suspeita de que a conselheira teria alertado uma advogada ligada à família de um adolescente prestes a ser internado provisoriamente por atos infracionais graves, frustrando a ação policial. A rapidez com que a advogada apareceu no local da internação, apenas 50 minutos após a expedição do mandado, levantou suspeitas de quebra de sigilo por parte da conselheira.

Detalhes das Acusações e Implicações Legais

Além da suspeita de vazamento de informações, a investigação revelou outras irregularidades, como o uso de veículo oficial do Conselho Tutelar para fins pessoais. Esta atitude, por si só, configura improbidade administrativa e desvio de finalidade dos recursos públicos, atitudes consideradas inaceitáveis para um agente público.

Adicionalmente, a conselheira é acusada de assédio moral contra outros membros do Conselho Tutelar e de manter comunicação com indivíduos envolvidos em atividades criminosas, compartilhando informações sigilosas às quais tinha acesso em razão do cargo. Essa troca de informações é considerada uma grave falha de conduta e coloca em risco a segurança de crianças e adolescentes sob a proteção do Conselho.

Paralelamente à ação civil, o MPPR também ofereceu denúncia criminal contra a conselheira pelos crimes de violação de sigilo funcional e prevaricação, previstos no Código Penal. A denúncia foi recebida pela Justiça em janeiro, e os processos tramitam em segredo de justiça, protegendo a identidade e os direitos dos envolvidos, especialmente os menores de idade.

A prevaricação, neste contexto, se refere ao ato de retardar ou deixar de praticar, indevidamente, um ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. No caso da conselheira, a acusação é de que ela teria agido para proteger o adolescente infrator, em detrimento do cumprimento da lei e do interesse público.

O Impacto no Sistema de Proteção à Criança e ao Adolescente

Este caso lança luz sobre a importância da idoneidade moral e da ética profissional dos conselheiros tutelares, que desempenham um papel fundamental na proteção dos direitos de crianças e adolescentes. A conduta inadequada de um conselheiro pode comprometer a credibilidade do sistema de proteção e colocar em risco a vida e a integridade dos menores.

O episódio em Quatiguá serve como um alerta para a necessidade de rigor na seleção e fiscalização dos conselheiros tutelares, bem como na oferta de capacitação constante para garantir que estejam preparados para lidar com as complexidades do cargo e para tomar decisões que atendam aos melhores interesses das crianças e adolescentes. A sociedade precisa exigir transparência e responsabilidade na atuação do Conselho Tutelar, para que ele possa cumprir seu papel de forma eficaz e justa.

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