Uma nova legislação federal, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, determina o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores em situações de risco à vida, integridade física ou psicológica de mulheres em casos de violência doméstica e familiar. A medida, que já está em vigor em todo o país, representa um avanço significativo na proteção das vítimas, alterando a Lei Maria da Penha e estabelecendo critérios mais rigorosos para a aplicação do monitoramento eletrônico.
A alteração na Lei Maria da Penha visa suprir lacunas na proteção oferecida às mulheres. Anteriormente, o monitoramento eletrônico era apenas uma opção, a critério do juiz. Agora, a lei estabelece que, caso o juiz negue o uso da tornozeleira, a decisão deverá ser fundamentada, detalhando os motivos da recusa. Essa exigência busca garantir maior transparência e responsabilidade na aplicação das medidas protetivas.
A legislação surge em resposta a dados alarmantes que revelam a insuficiência das medidas protetivas existentes. Pesquisas apontam que uma parcela significativa das vítimas de feminicídio possuía medidas protetivas, demonstrando a necessidade de ferramentas mais eficazes para garantir sua segurança.
Monitoramento Eletrônico e a Segurança das Vítimas
O monitoramento eletrônico, através das tornozeleiras, funciona delimitando áreas de exclusão para o agressor, ou seja, locais onde a vítima reside ou frequenta. Caso o agressor se aproxime dessas áreas, alertas são emitidos para a polícia e, em alguns casos, diretamente para a vítima, permitindo uma resposta rápida em caso de violação.
Em caso de descumprimento das regras impostas, como a violação da área de exclusão ou danificação do dispositivo, o agressor está sujeito a um aumento de pena, que pode variar de um terço até a metade. Essa sanção mais rigorosa tem como objetivo dissuadir o agressor e garantir o cumprimento da medida protetiva.
Apesar dos avanços, a implementação efetiva do uso de tornozeleiras eletrônicas enfrenta desafios significativos, como a disponibilidade dos equipamentos, a capacidade de monitoramento e a integração com as forças de segurança. É fundamental que o governo invista em infraestrutura e treinamento para garantir o sucesso da medida.
Alerta Mulher Segura: Um Novo Projeto-Piloto
O Ministério da Justiça lançará em breve um projeto-piloto inovador, denominado “Alerta Mulher Segura”, em três estados brasileiros. A iniciativa visa conectar a tornozeleira eletrônica do agressor a um relógio digital utilizado pela vítima, criando um sistema de monitoramento mútuo e aprimorando o cumprimento das medidas cautelares.
O projeto-piloto representa um avanço promissor na proteção das mulheres em situação de violência doméstica. Ao integrar a tecnologia ao sistema de justiça, o “Alerta Mulher Segura” busca oferecer uma resposta mais rápida e eficaz em casos de ameaça, contribuindo para a segurança e bem-estar das vítimas.



