Em Quedas do Iguaçu, no interior do Paraná, o Ministério Público do Paraná (MPPR) obteve uma importante vitória no combate à improbidade administrativa. O ex-prefeito da cidade, referente à gestão de 2021 a 2024, e um de seus sobrinhos foram condenados em ação civil pública por prática de nepotismo. A decisão judicial impõe sanções financeiras e restrições ao exercício de funções públicas.
A investigação do MPPR revelou que o então prefeito nomeou seu sobrinho para o cargo de chefe de departamento, uma prática expressamente vedada pela legislação brasileira. Além do vínculo familiar, a apuração constatou que o sobrinho não desempenhava funções de direção ou assessoramento, requisitos indispensáveis para a ocupação do cargo em questão. Essa nomeação configurou uma clara violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A condenação imposta ao ex-prefeito consiste no pagamento de multa civil equivalente a seis vezes o valor da remuneração que ele recebia enquanto chefe do Executivo municipal. Já o sobrinho foi condenado a pagar multa correspondente a três vezes o salário que recebia no cargo irregularmente ocupado.
Impacto e Repercussão da Decisão Judicial
Além das sanções pecuniárias, o ex-prefeito e seu sobrinho foram proibidos de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, pelo período de três anos. Esta restrição visa coibir futuras práticas lesivas à administração pública e garantir a transparência na gestão dos recursos públicos.
A decisão judicial representa um importante precedente na luta contra o nepotismo no âmbito da administração pública municipal. A atuação do MPPR demonstra o compromisso do órgão com a defesa do patrimônio público e o combate à corrupção. Casos como este reforçam a necessidade de mecanismos de controle e fiscalização para garantir a integridade na gestão dos recursos públicos.
É importante ressaltar que a decisão ainda cabe recurso, e a defesa dos condenados pode apresentar novos argumentos e evidências para tentar reverter a condenação. No entanto, a sentença proferida em primeira instância representa um importante passo para responsabilizar os agentes públicos que praticam atos de improbidade administrativa.
Histórico de Irregularidades e Recomendações Ignoradas
Em 2022, a Promotoria de Justiça já havia emitido uma recomendação administrativa ao então prefeito, alertando sobre os riscos de nomeação de parentes para cargos públicos. A recomendação, no entanto, foi ignorada pelo chefe do Executivo municipal, que manteve a nomeação não apenas do sobrinho, mas também de sua companheira para um cargo de chefia.
A persistência nas práticas irregulares motivou o ajuizamento de outra ação civil pública, referente à nomeação da companheira do ex-prefeito. Nesta ação, os réus foram condenados em decisão que já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso. O caso demonstra a reincidência do ex-prefeito em práticas de nepotismo e a importância da atuação do MPPR na defesa da legalidade e da moralidade administrativa.


