Curitiba se torna palco para uma imersão na história e resistência negra com a apresentação do espetáculo “Revisitando a Grandeza que Somos – Cartas para Tereza de Benguela”, no Teatro José Maria Santos. A peça, com apresentações gratuitas, busca resgatar a memória de Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII, e conectar sua história com o presente, através de uma narrativa que mescla ancestralidade e temas contemporâneos.
A peça, que ficará em cartaz por mais de uma semana, promete ser um marco na cena cultural curitibana, oferecendo uma oportunidade única de reflexão sobre a identidade negra e a importância da preservação da memória.
A iniciativa busca, através da arte, promover o diálogo e a conscientização sobre as lutas e conquistas da população negra no Brasil, dando visibilidade às suas narrativas e fortalecendo o senso de pertencimento e empoderamento.
A força da ancestralidade em cena
O espetáculo, protagonizado por Flávia Imirene e Sol do Rosário, sob a direção de Sabrina Marques, é fruto de um intenso processo criativo, que incluiu vivências no Quilombo Paiol de Telha, em Guarapuava, Paraná. Essa imersão permitiu a conexão com saberes ancestrais e práticas coletivas, enriquecendo a narrativa e conferindo autenticidade à representação da história de Tereza de Benguela.
A escolha de Tereza de Benguela como figura central da peça não é aleatória. Ela representa a força, a liderança e a resistência das mulheres negras na luta contra a escravidão e a opressão. Ao revisitar sua história, o espetáculo busca inspirar o público a refletir sobre o presente e a construir um futuro mais justo e igualitário.
O encontro entre duas mulheres negras de diferentes épocas é o ponto de partida para uma jornada de autoconhecimento e resgate da memória coletiva. Através da dança, da música e da poesia, a peça convida o público a se conectar com suas raízes e a celebrar a beleza e a riqueza da cultura afro-brasileira.
Acessibilidade e inclusão como prioridade
Em um gesto de compromisso com a inclusão, o projeto “Revisitando a Grandeza que Somos” oferece sessões com intérprete de Libras e audiodescrição, garantindo o acesso de pessoas com deficiência visual e auditiva ao espetáculo. Essa iniciativa demonstra a preocupação dos realizadores em tornar a arte acessível a todos, promovendo a igualdade de oportunidades e o respeito à diversidade.
Além das apresentações acessíveis, o projeto oferece a oficina gratuita “Ará Izô – Corpo que Queima”, ministrada por Nando Zâmbia, que aborda a investigação do corpo como campo de criação, energia e memória. Essa oficina representa uma oportunidade única para artistas, estudantes e interessados em geral aprofundarem seus conhecimentos sobre a dança afro-brasileira e a expressão corporal.



