Espetáculo sobre história africana estreia no Festival de Curitiba

🕓 Última atualização em: 13/03/2026 às 00:51

O Festival de Curitiba se prepara para receber uma impactante performance de dança contemporânea, “BRACE”, do coreógrafo moçambicano Edivaldo Ernesto. A peça, que fará sua estreia nacional, explora a história e a resiliência de povos africanos, prometendo uma reflexão profunda sobre identidade e ancestralidade. As apresentações ocorrerão nos dias 5 e 6 de abril, no SESC da Esquina, com ingressos disponíveis online e na bilheteria física.

Edivaldo Ernesto, renomado internacionalmente por sua abordagem única da dança, traz para o Brasil uma obra inspirada nas sociedades Mwene Mutapa, Zulo e Changana, que floresceram no sul da África entre os séculos XV e XIX. Essas sociedades, marcadas por sistemas políticos e culturais complexos, oferecem um rico material para a exploração da memória e da resistência.

“BRACE” busca desafiar as representações eurocêntricas da África, enfatizando a soberania, a estrutura e a potência dessas civilizações. A performance é um convite para repensar narrativas históricas e valorizar a riqueza cultural do continente africano.

A escolha do Brasil para a estreia nacional não é aleatória. Ernesto identifica ecos da herança africana na cultura brasileira, estabelecendo uma conexão entre a diáspora africana e a resistência cultural presente no país. Essa identificação promove um diálogo intercultural e enriquece a experiência do público.

Diálogos entre Corpo, História e Resistência

A obra de Edivaldo Ernesto transcende a mera expressão corporal, incorporando elementos de história, memória e crítica social. Sua abordagem inovadora da dança contemporânea o coloca como uma das vozes mais relevantes do cenário artístico mundial. Ele busca constantemente a integração entre corpo, som e espaço.

O processo criativo de “BRACE” envolve uma profunda pesquisa sobre as culturas africanas, combinada com a experiência pessoal do coreógrafo. A peça se torna, assim, uma poderosa ferramenta para a conscientização e o diálogo intercultural.

A dança de Ernesto não se limita à técnica; ela se manifesta como uma linguagem expressiva que transmite urgência, emoção e a força do espírito humano. É uma forma de resistência, de celebração da identidade e de afirmação da cultura africana.

A Trajetória e a Visão de Edivaldo Ernesto

Nascido em Maputo, Moçambique, e radicado na Alemanha, Edivaldo Ernesto construiu uma carreira sólida como coreógrafo, intérprete e educador. Sua especialização nas técnicas Flying Low e Passing Through, desenvolvidas por David Zambrano, o colocam na vanguarda da dança contemporânea.

Além de suas performances, Ernesto desenvolve workshops como Depth Movement e Next Level, onde compartilha sua metodologia singular de improvisação e composição de movimento. Sua abordagem pedagógica busca expandir o potencial criativo dos participantes, incentivando a experimentação e a expressão individual. A influência de suas raízes africanas é visível em sua abordagem única da dança, que mescla tradição e inovação.

O Festival de Curitiba, com a Mostra Lucia Camargo, proporciona uma plataforma importante para a divulgação do trabalho de Ernesto no Brasil. Ao apresentar “BRACE”, o festival reafirma seu compromisso com a diversidade cultural e a promoção de obras que desafiam o status quo e enriquecem o panorama artístico nacional.

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