As doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil, superando o câncer de mama e outras patologias ginecológicas. Apesar da percepção comum de que problemas cardíacos afetam predominantemente homens, os dados revelam uma realidade alarmante para a saúde feminina, exigindo maior atenção à prevenção e ao diagnóstico precoce.
Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que, em 2023, mais de 182 mil mulheres faleceram em decorrência de complicações cardiovasculares no país. Essa estatística representa cerca de 47% do total de óbitos relacionados a essas doenças, demonstrando uma proporção preocupante e estável ao longo dos últimos anos, conforme apontado pelo Observatório da Saúde Cardiovascular do Instituto Nacional de Cardiologia (INC).
Essa realidade exige uma mudança de paradigma na abordagem da saúde cardiovascular feminina, com foco na conscientização sobre os fatores de risco específicos e na implementação de estratégias de prevenção eficazes.
Desafios no Diagnóstico e Tratamento
Um dos principais desafios no enfrentamento das doenças cardiovasculares em mulheres reside na apresentação atípica dos sintomas. Diferentemente dos homens, em que a dor no peito é o sintoma clássico de um infarto do miocárdio, as mulheres podem experimentar fadiga extrema, falta de ar, dor nas costas, no estômago ou na mandíbula. Essa variação sintomática frequentemente leva ao atraso na busca por ajuda médica, comprometendo as chances de um tratamento oportuno e eficaz.
Além disso, fatores hormonais e específicos do ciclo de vida feminino, como a menopausa, o uso de anticoncepcionais e a hipertensão gestacional, elevam o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O estresse crônico e a dupla jornada de trabalho também contribuem para o aumento da vulnerabilidade cardiovascular das mulheres.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) alerta para a maior mortalidade de mulheres após um infarto em comparação com os homens, em grande parte devido ao tempo mais longo para o início do tratamento. A entidade também expressa preocupação com o aumento de casos em mulheres jovens (20-39 anos), impulsionado por fatores como obesidade, sedentarismo, tabagismo e estresse.
Estratégias de Prevenção e Cuidados
A prevenção é a chave para reduzir o impacto das doenças cardiovasculares na saúde feminina. Adotar um estilo de vida saudável, com atividade física regular (pelo menos 150 minutos por semana), alimentação equilibrada com baixo teor de sal e gorduras saturadas, e a abstinência do tabagismo, são medidas fundamentais.
O controle da pressão arterial, do colesterol e da glicemia, aliado a check-ups regulares, especialmente após os 40 anos ou na menopausa, são essenciais para identificar e tratar precocemente os fatores de risco cardiovascular. É crucial que as mulheres estejam atentas aos sinais de alerta e busquem ajuda médica imediata ao perceberem sintomas como dor ou desconforto no peito, falta de ar intensa, fadiga extrema, náuseas, vômitos, sudorese fria, tontura ou desmaio.



