Curitiba, Paraná – Em um esforço coordenado para combater o trabalho escravo em todo o estado, o Paraná formalizou a implantação da Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo (COETRAE/PR). A iniciativa, que se concretizou em uma audiência pública no dia 22 de junho de 2026, marca um passo significativo na consolidação de políticas públicas focadas na prevenção e no enfrentamento dessa grave violação dos direitos humanos. A comissão, que já iniciou seus trabalhos, é composta por representantes do poder público, da sociedade civil e de instituições especializadas, buscando uma abordagem integrada e regionalizada.
A criação da COETRAE/PR representa um marco na luta contra o trabalho análogo à escravidão no estado. Sua atuação visa fortalecer a rede de proteção aos trabalhadores, intensificar a fiscalização e promover ações de conscientização sobre os riscos e as consequências desse crime. A comissão, instituída formalmente por decreto estadual, busca aprimorar as estratégias de combate ao tráfico de pessoas e à exploração laboral, garantindo a dignidade e os direitos fundamentais de todos os cidadãos paranaenses.
Desafios e Estratégias da COETRAE no Combate ao Trabalho Escravo
Um dos principais desafios da COETRAE será mapear e monitorar as áreas do estado mais vulneráveis à prática do trabalho escravo contemporâneo. Setores como a agricultura, a construção civil e a produção de carvão vegetal frequentemente apresentam maiores índices de exploração, exigindo ações específicas e focalizadas. A comissão deverá atuar em conjunto com órgãos de fiscalização, como o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Polícia Federal (PF), para intensificar as operações de combate e punir os responsáveis por essa prática criminosa.
Além da repressão, a COETRAE também investirá em ações de prevenção e conscientização. A promoção de campanhas educativas, a realização de cursos de capacitação e a divulgação de informações sobre os direitos dos trabalhadores são ferramentas essenciais para evitar que pessoas sejam vítimas do trabalho forçado. A comissão também trabalhará em parceria com organizações da sociedade civil e com o setor privado para desenvolver programas de inclusão social e geração de renda, oferecendo alternativas para aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade.
A intersetorialidade é um dos pilares da atuação da COETRAE. A participação de diferentes órgãos e entidades governamentais, como as Secretarias de Estado da Justiça e Cidadania, da Educação, da Segurança Pública, do Desenvolvimento Social e Família, do Trabalho, Qualificação e Renda, do Turismo, da Saúde e da Agricultura e Abastecimento, garante uma abordagem abrangente e integrada do problema. Essa articulação permite que a comissão desenvolva políticas públicas mais eficazes e que atenda às necessidades específicas de cada região do estado.
A comissão também busca fortalecer a cooperação internacional no combate ao tráfico de pessoas. O Paraná faz fronteira com outros países e, portanto, está sujeito à entrada e saída de vítimas de exploração laboral. A COETRAE trabalhará em conjunto com agências internacionais e com governos de outros países para trocar informações, compartilhar boas práticas e desenvolver ações conjuntas de combate a esse crime transnacional.
O Futuro da Luta Contra o Trabalho Escravo no Paraná
A implantação da COETRAE representa um avanço importante na luta contra o trabalho escravo no Paraná, mas ainda há muito a ser feito. A comissão enfrentará desafios complexos, como a falta de recursos financeiros, a resistência de alguns setores da sociedade e a dificuldade de acesso a áreas remotas do estado. No entanto, com o apoio da sociedade civil, do setor privado e do poder público, a COETRAE tem o potencial de transformar a realidade de milhares de trabalhadores paranaenses, garantindo-lhes o direito a uma vida digna e livre de exploração.
A sociedade paranaense desempenha um papel fundamental na erradicação do trabalho escravo. Denunciar casos de exploração, apoiar iniciativas de conscientização e cobrar ações efetivas do poder público são atitudes que podem fazer a diferença. A COETRAE está aberta ao diálogo com a sociedade civil e com o setor privado, buscando construir uma rede de colaboração que envolva todos os segmentos da população. A erradicação do trabalho análogo à escravidão é um desafio que exige o engajamento de todos, e o Paraná está determinado a liderar essa luta.



