Curitiba promove ato em memória das vítimas de feminicídio no Dia da Mulher

🕓 Última atualização em: 02/03/2026 às 04:37

Curitiba se prepara para sediar um ato público impactante no dia 8 de março de 2026, Dia Internacional da Mulher. O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) lidera a manifestação, visando alertar a sociedade sobre o crescente problema do feminicídio e suas devastadoras consequências. O evento, que ocorrerá na Praça Santos Andrade, promete ser um momento de reflexão e homenagem às vítimas, buscando também mobilizar a comunidade para a prevenção da violência de gênero.

A ação simbólica central do protesto consistirá na exposição de 87 pares de sapatos, representando as 87 mulheres paranaenses vítimas de feminicídio em 2025, conforme dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). A instalação, que será montada nas escadarias do prédio histórico da UFPR, tem o objetivo de materializar a ausência dessas mulheres e o impacto trágico da violência em suas vidas e famílias.

Após a manifestação, os sapatos serão doados para instituições que oferecem suporte a mulheres em situação de vulnerabilidade, transformando o ato de protesto em um gesto concreto de solidariedade e apoio.

O Crescimento Alarmante do Feminicídio no Brasil

A iniciativa do CRP-PR surge em um contexto de crescente preocupação com os índices de feminicídio no Brasil. Nos últimos dez anos, desde que o feminicídio foi tipificado como crime em 2015, houve um aumento alarmante de quase 190% nos casos, de acordo com dados do Sinesp. Esse aumento demonstra uma persistente e preocupante cultura de violência contra a mulher, que precisa ser combatida por meio de ações de conscientização, prevenção e punição dos agressores.

É crucial ressaltar que cada número representa uma vida interrompida, uma história silenciada. As mais de 13 mil mulheres que perderam suas vidas em decorrência do feminicídio nos últimos dez anos tinham sonhos, famílias e potenciais que foram abruptamente ceifados pela violência. A luta contra o feminicídio é, portanto, uma questão de justiça social e de defesa dos direitos humanos.

A violência de gênero, conceito central nessa discussão, não se restringe ao ato final do feminicídio. Ela permeia diversas esferas da vida das mulheres, desde o assédio moral e sexual no ambiente de trabalho até a violência doméstica e o controle abusivo por parte de parceiros ou ex-companheiros. Identificar e combater essas diferentes formas de violência é fundamental para prevenir o feminicídio e construir uma sociedade mais justa e igualitária.

A Psicologia como Ferramenta de Transformação Social

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) destaca o papel fundamental da psicologia na luta contra o feminicídio. Profissionais da área podem atuar tanto no acolhimento e suporte às vítimas de violência quanto na conscientização e responsabilização dos agressores. A psicologia oferece ferramentas para a compreensão das dinâmicas da violência de gênero, para a promoção da igualdade e para a construção de relacionamentos saudáveis e respeitosos.

A participação da sociedade como um todo é essencial para o sucesso da campanha contra o feminicídio. O CRP-PR convida a categoria de psicólogos e a população em geral a se juntarem ao ato público em Curitiba, demonstrando seu compromisso com a causa e contribuindo para a construção de um futuro livre de violência para as mulheres. A união de esforços é fundamental para quebrar o ciclo da violência e garantir o direito à vida e à dignidade de todas as mulheres.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *