O verão no litoral do Paraná tem sido marcado por um aumento significativo no número de ocorrências envolvendo queimaduras causadas por águas-vivas. A Secretaria de Estado da Saúde (SESA) registrou, até o momento, um total de 2.547 atendimentos relacionados a acidentes com esses animais marinhos, acendendo um alerta para banhistas e autoridades. A situação demanda medidas preventivas e conhecimento sobre os procedimentos adequados em caso de contato com os tentáculos urticantes.
A presença de cnidários, nome científico dado as águas-vivas, é comum durante os meses mais quentes, quando as condições do mar se tornam mais favoráveis à sua proliferação. Fatores como a elevação da temperatura da água e a calmaria do mar contribuem para o aumento da incidência desses organismos nas áreas costeiras.
Orientações da SESA: Como Prevenir e Agir
Diante do cenário, a SESA tem intensificado as campanhas de orientação à população, visando a conscientização sobre os riscos e a importância de medidas preventivas. A principal recomendação é que os banhistas redobrem a atenção ao entrar no mar, observando a presença de águas-vivas na água e na areia, e respeitando as sinalizações de alerta.
Em caso de contato com os tentáculos, a recomendação primordial é procurar imediatamente um posto de guarda-vidas para receber os primeiros socorros. Ignorar a queimadura pode levar a complicações, com sintomas que variam de ardência e inchaço a, em casos mais graves, náuseas, vômitos e dificuldade respiratória.
Beto Preto, o Secretário de Estado da Saúde, enfatiza que a informação é a principal arma contra as complicações decorrentes do contato com águas-vivas. “Todos os anos reforçamos que a presença de águas-vivas faz parte do verão no Litoral. A orientação é simples: atenção redobrada, respeito às sinalizações e busca imediata de atendimento em caso de acidente.”
Primeiros Socorros: O Que Fazer e o Que Evitar
Ao ser atingido por uma água-viva, o primeiro passo é sair da água e procurar auxílio médico ou dos guarda-vidas. A recomendação é lavar a área afetada com água do mar e aplicar vinagre diretamente na lesão, substância que ajuda a neutralizar as toxinas presentes nos tentáculos. A aplicação do vinagre deve ser feita com cautela, evitando o contato com os olhos e mucosas.
É crucial evitar o uso de água doce, gelo, álcool ou urina na área afetada, pois essas substâncias podem agravar a lesão e aumentar a liberação de toxinas. A aplicação de compressas frias também não é recomendada, pois pode intensificar a sensação de dor. Se surgirem sintomas como febre, confusão mental, dificuldade respiratória ou dor intensa persistente, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente.
Além disso, a SESA orienta a utilização de roupas de proteção, como camisetas e bermudas de elastano, especialmente para crianças e idosos, que são mais vulneráveis aos efeitos das queimaduras. A medida ajuda a reduzir a área de contato com os tentáculos e, consequentemente, o risco de lesões.
A Divisão de Vigilância de Zoonoses alerta ainda para o perigo de tocar em águas-vivas encontradas na areia, mesmo que aparentem estar mortas, pois os tentáculos podem manter o poder urticante por algum tempo. Em caso de emergência, o telefone 193 deve ser acionado.



